Um alto funcionário da ONU condenou nesta segunda-feira (28) o que chamou de expansão incessante dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, alertando que o crescimento contínuo está prejudicando as perspectivas de um Estado palestino viável e ameaçando a solução de dois Estados.
Em discurso ao Conselho de Segurança da ONU, o coordenador especial adjunto para o Processo de Paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, afirmou que a expansão dos assentamentos, inclusive na sensível área E1, a leste de Jerusalém, viola o direito internacional e consolida ainda mais a ocupação israelense.
Alakbarov afirmou que a implementação do plano para a área E1 separaria as partes norte e sul da Cisjordânia, isolaria Jerusalém Oriental e representaria uma “ameaça existencial” para um futuro Estado palestino.
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Publicado em 2026-09-28 14:53:37“Condeno veementemente a expansão incessante dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, que alimenta as tensões, dificulta o acesso dos palestinos às suas terras e ameaça a viabilidade de um Estado palestino plenamente independente, soberano e territorialmente contíguo”, afirmou, destacando que essa expansão ocorre em meio ao aumento dos ataques de colonos.
“A situação é moral, jurídica e politicamente intolerável. Precisamos reafirmar nosso compromisso com a solução de dois Estados antes que seja tarde demais”, acrescentou Alakbarov.
O Conselho também ouviu ativistas israelenses e palestinos pela paz, que pediram o fim da guerra em Gaza e a retomada dos esforços em favor da coexistência.
“O Hamas cometeu um crime de guerra traiçoeiro em 7 de outubro, matando e sequestrando israelenses inocentes”, disse o ativista israelense Maoz Inon.
“Ao mesmo tempo, o governo israelense explorou essas atrocidades para travar uma guerra devastadora de vingança. Eles provocaram uma destruição catastrófica em Gaza, enquanto aceleravam a limpeza étnica, a expansão dos assentamentos e o deslocamento forçado na Cisjordânia”, seguiu Inon, destacando que o luto “não pode ser uma desculpa para a guerra”.
China, Rússia e Reino Unido também criticaram a expansão dos assentamentos na Cisjordânia ocupada.
Já o representante da Autoridade Palestina Riyad H. Mansour disse que o objetivo do plano é claro: “Matar o Estado palestino e qualquer perspectiva de paz.”
Do outro lado, a israelense Noa Furman rejeitou as alegações de que os assentamentos sejam o principal obstáculo à paz e argumentou que o desafio central continua sendo a ausência de um parceiro palestino comprometido com a paz.