Onda de protestos fecha mais de 400 escolas na França
Estudantes protestam contra a precarização do ensino enquanto autoridades tentam conter confrontos nas ruas
protEstudantes entraram em confronto com a polícia e várias escolas foram incendiadas nesta sexta-feira (2), em mais um dia de violência na França. Os protestos que vêm mobilizando o país não dão sinais de terminar.
O governo anunciou que mais de 400 escolas seriam fechadas nesta sexta-feira, enquanto tenta conter a tensão após dias de manifestações que resultaram na detenção de centenas de adolescentes.
Em Estrasburgo, no leste da França, jovens ergueram barricadas em ruas tomadas por gás lacrimogêneo. Em Lyon e outras cidades, manifestações mais pacíficas foram realizadas.
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Publicado em 2026-10-02 09:45:36Os manifestantes afirmam que o setor de educação francês sofre com falta de recursos e está sobrecarregado. Os estudantes reclamam que professores ausentes não são substituídos e que as escolas estão em condições precárias.
“Passamos de protestos estudantis para uma questão de ordem pública”, disse o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, na manhã desta sexta-feira. Ele afirmou temer que a onda de protestos continue durante o fim de semana. Manifestações organizadas por sindicatos em apoio aos estudantes do ensino médio estão previstas para terça-feira (6).
Sem uma saída clara para os protestos e com o aumento da violência, o governo tenta conter a situação nos arredores das escolas.
O ministro da Educação, Édouard Geffray, deve se reunir nesta sexta-feira com representantes de estudantes, pais e funcionários. No entanto, devido ao caráter descentralizado dos protestos, a reunião pode não resultar em uma solução rápida.
Autoridades de várias regiões do país proibiram manifestações nas proximidades das escolas que foram fechadas nesta sexta-feira, mas a medida parece ter tido pouco efeito.
Em entrevista à rádio RTL, Darmanin sugeriu que os pais fossem responsabilizados pelos danos causados pelos estudantes. A ideia foi classificada como “absurda” pelo partido de esquerda radical França Insubmissa, cujos políticos têm sido criticados por participar das manifestações com os estudantes. Na quinta-feira (1º), integrantes do governo pediram aos pais que impedissem os filhos de participar de protestos violentos.
Muitas manifestações em escolas são pacíficas, mas imagens de incêndios criminosos e de ações policiais consideradas agressivas dominam o debate público na França. Escolas de ensino médio em bairros mais pobres de cidades de todo o país estão no centro da tensão com a polícia.
Até a manhã desta sexta-feira, cerca de 2 mil pessoas haviam sido detidas em razão dos protestos estudantis. Segundo o Ministério da Justiça, 90% delas eram adolescentes. Dois estudantes ficaram gravemente feridos após, segundo relatos, serem atingidos por munições usadas pela polícia para controle de multidões.
Em uma publicação no X na quinta-feira (1º), a prefeitura de polícia de Paris afirmou que seus agentes foram “confrontados por indivíduos determinados a entrar em conflito” durante os protestos. Agathe Foucault, porta-voz da polícia francesa, disse à afiliada da CNN, BFMTV, nesta sexta-feira que os agentes “devem usar a força de maneira necessária e proporcional”.