O mercado global de milho entra no quarto trimestre de 2026 com uma oferta mais apertada e perspectiva de preços sustentados, segundo a StoneX. A menor produção nos Estados Unidos, as restrições às exportações da Ucrânia e o aumento do consumo brasileiro para a produção de etanol estão entre os principais fatores que devem reduzir a disponibilidade do cereal no mercado internacional.

A avaliação consta no relatório trimestral de perspectivas da StoneX. A consultoria destaca que os preços internacionais do milho terminaram o terceiro trimestre em níveis mais elevados do que no início de 2026, após um período de forte volatilidade.

A perspectiva de uma oferta global menor ocorre após uma temporada 2025/26 marcada pelo aumento expressivo da produção. A expansão, puxada principalmente pelo recorde de área e produção nos Estados Unidos, gerou formação de estoques globais de aproximadamente 30 milhões de toneladas e levou os estoques finais, excluída a China, ao maior nível da série para aquele ciclo.

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Para a temporada 2026/27, porém, a produção norte-americana deve recuar. O USDA estima uma colheita de 401,3 milhões de toneladas, queda superior a 30 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. A StoneX trabalha com uma projeção um pouco mais elevada, de 409,3 milhões de toneladas, mas ainda prevê um processo de redução dos estoques dos Estados Unidos.

“Na última safra, observamos uma alta dos preços ao longo do ano por fatores ligados à geopolítica, mas também por questões de balanço. A produção deve cair em 2026/27 e esse movimento é puxado pela redução da produção americana. A demanda do setor de etanol e ração americanos tiveram uma redução, mas mantém firmeza”, destacou Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX .

O clima foi um dos fatores que contribuíram para a revisão das perspectivas. Embora as chuvas tenham apresentado comportamento relativamente normal nos Estados Unidos, as temperaturas elevadas durante o período de pendoamento devem reduzir os rendimentos da safra 2026/27. Ao mesmo tempo, a Europa enfrentou calor e estiagem, em um cenário que provocou uma das maiores quebras de produção do continente e tende a ampliar a necessidade de importações.

América do Sul

O Brasil continua apresentando uma oferta robusta de milho, mas a StoneX identifica riscos para a disponibilidade do cereal no mercado internacional. Os custos elevados de produção e a competição por área com culturas como algodão e sorgo devem limitar o crescimento da área plantada com milho safrinha em 2026/27.

“A produção de sorgo tem crescido e deve continuar crescendo em 2026/27. O Brasil tem consumido bastante, principalmente em plantas de etanol. O consumo global também impulsiona as exportações. Entre agosto e setembro exportamos mais do que havíamos exportado em 20 anos. A área plantada deve aumentar e inclusive pressionar a área plantada de milho”, ressaltou Bulascoschi.

O clima também será uma variável importante. A atuação do El Niño aumenta a possibilidade de chuvas menores e mal distribuídas no Centro-Oeste brasileiro, além de temperaturas mais elevadas. Apesar disso, a StoneX considera que, no momento, o risco ainda é limitado, já que o avanço do plantio da soja tende a favorecer uma janela adequada para a segunda safra de milho.

Um dos principais pontos de atenção, segundo a consultoria, está no aumento do consumo doméstico. O uso de milho pelo setor de etanol deve crescer mais de 5 milhões de toneladas no ano-safra 2026/27, aproximando-se de 30 milhões de toneladas. O avanço reduz os excedentes disponíveis para exportação e pode limitar a participação brasileira no comércio internacional.

A Argentina, por outro lado, pode contribuir para ampliar a oferta sul-americana. A expectativa da StoneX é de manutenção da área plantada em 2026/27 em relação ao recorde do ciclo anterior, enquanto as condições de chuva associadas ao El Niño podem favorecer a produtividade.

Para a StoneX, o mercado internacional de milho chega ao fim de 2026 com riscos elevados. A produção menor dos Estados Unidos reduz a margem de segurança dos estoques justamente quando a Europa precisa importar mais, enquanto a Ucrânia enfrenta restrições de escoamento e o Brasil direciona parcela crescente da produção para o mercado interno.

 



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/oferta-global-de-milho-deve-permanecer-apertada-aponta-stonex/