O empresário Leonardo Bortoletto e o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo debateram, na terça-feira (30), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre a “reaproximação Lula-Alcolumbre: Quem vai ceder primeiro?”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que não pretende recuar nos acordos orçamentários deste ano, incluindo a destinação de emendas parlamentares. O aviso foi transmitido durante uma reunião entre articuladores do governo e Alcolumbre, em meio a uma tentativa de destravar pautas de interesse governista.
O encontro fez parte de um esforço para avançar em temas como o fim da escala 6×1 e projetos que reforçam a segurança pública. Alcolumbre, por sua vez, tem resistido a votar esses textos antes das eleições, insistindo em um encontro direto com Lula para destravar as pautas.
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Publicado em 2026-07-01 09:42:00Lula, no entanto, condiciona o encontro a um gesto prévio de boa vontade por parte do senador, como a votação de propostas de interesse do governo. Com o impasse instalado, interlocutores de ambos os lados têm buscado um denominador comum. Caso Alcolumbre não ceda às demandas governistas, parlamentares de esquerda ameaçam retomar o mote “nós contra eles”. Alcolumbre, por sua vez, já declarou que não aceitará pressões, enquanto Lula reafirma que não cederá a “chantagens legislativas”.
Debate entre analistas
Leonardo Bortoletto avaliou que o embate conduzido por meio de emissários não beneficia nenhum dos lados. “Mais produtivo para o Brasil seria, sem sombra de dúvida, que os dois se encontrassem e, ao se encontrarem, definissem a pauta que vai dar verdadeiramente sustentação àquilo que o Brasil precisa”, afirmou.
Para Bortoletto, Lula seria o primeiro a ceder, por ter mais a perder caso as pautas não avancem. “Acredito que em breve os dois estarão reunidos”, concluiu.
Já o comentarista José Eduardo Cardozo ponderou que reuniões em situações tensas podem agravar conflitos quando não há terreno previamente preparado. “Não existe acordo em que só um ceda, porque se só um ceder, isto não é acordo, é submissão”, afirmou.
Cardozo defendeu que o atual movimento de prospecção por meio de emissários é necessário para delimitar um campo de entendimento possível antes de um encontro direto. “A relação harmônica entre poderes é fundamental para o funcionamento das instituições do país”, acrescentou, ressaltando que a governabilidade no Brasil é estruturalmente difícil, mas que um entendimento gradativo ainda é possível.