Os comentaristas da CNN José Eduardo Cardozo e Vinicius Poit debateram, na segunda-feira (21), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), “o que decidirá o voto para presidente da República, com eleição em aberto”.
Uma pesquisa Quaest aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 42% das intenções de voto no segundo turno, contra 41% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os números confirmam um cenário de polarização intensa e margem mínima entre os dois candidatos, deixando a eleição completamente em aberto.
Múltiplos fatores em jogo
O comentarista José Eduardo Cardozo avaliou que os dados reforçam uma tendência já observada há meses.
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Publicado em 2026-09-22 09:14:18“Tudo confirma aquilo que nós já dizíamos alguns meses atrás: uma polarização entre duas candidaturas, uma estratificação de resultados, e realmente haverá uma margem, em princípio, muito pequena entre os dois no primeiro turno e provavelmente no segundo”, afirmou.
Cardozo destacou que raramente uma eleição é definida por um único elemento. Segundo ele, a decisão do eleitor envolve uma combinação de fatores racionais e emocionais, incluindo rejeição aos candidatos, situação econômica, acontecimentos do momento e até mesmo a circulação de fake news.
“Razão pela qual o que fazem os orientadores das campanhas eleitorais é medir a situação e verificar o que efetivamente pode ser o elemento impulsionador de uma decisão”, explicou. Para o comentarista, seria um “exercício absurdamente profético” tentar apontar um único fator determinante neste momento.
Rejeição, governo e cotidiano
Vinícius Poit organizou sua análise em três pontos principais. O primeiro deles é a rejeição: com os dois candidatos matematicamente empatados, o nível de rejeição pode ser decisivo — e o desafio, segundo ele, é que esse índice também é praticamente igual entre ambos.
“Aquele que conseguir conquistar o voto do eleitor do ‘meio-termo’, aquele que tava: ‘puxa, tem esses dois, eu não gosto de nenhum dos dois, mas nesse daqui eu até aceito’ — esse vai ser um jogo importante”, avaliou Poit.
O segundo ponto levantado por Poit diz respeito ao fato de Lula ser o candidato incumbente. De acordo com ele, dados da própria pesquisa Quaest indicam que mais da metade da população desaprova o governo atual, número superior aos 44% que o aprovam.
“Isso por si só decide a eleição? Não, mas é um indicativo de que existe uma insatisfação da população com esse governo maior do que aquele grupo que está satisfeito”, ponderou. O terceiro ponto envolve os problemas do cotidiano, como segurança, violência e economia.