O comentarista José Eduardo Cardozo e a jornalista e ex-senadora Ana Amélia Lemos discutiram, nesta quinta-feira (18), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), as acusações contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) na Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF (Polícia Federal).
Segundo apuração do âncora da CNN Brasil, Gustavo Uribe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou para Jaques Wagner e pediu que o parlamentar se defenda das acusações e não deixe perguntas sem respostas.
Wagner, alvo de mandado de busca e apreensão na 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, sinalizou a interlocutores disposição para prestar depoimento à PF e esclarecer sua relação com Augusto Lima.
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Publicado em 2026-06-19 04:00:55O senador é suspeito de ter se beneficiado de recursos do Banco Master. Em entrevista à Band News, Wagner negou as acusações.
Antes da operação, o parlamentar chegou a se reunir com André Mendonça, relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal). A expectativa é que ele retorne a Brasília e se reúna com Lula para avaliar a permanência na liderança do governo no Senado.
Debate sobre a permanência de Wagner na liderança
Para Ana Amélia Lemos, a situação representa um problema sério para o governo.
“O ato mais correto seria pedir para sair do cargo, para não contaminar todo o governo e, particularmente, o presidente, de quem é grande amigo”, afirmou.
Ela lembrou um episódio histórico em que Itamar Franco afastou seu chefe da Casa Civil diante de acusações de irregularidades, e, provada a inocência, o afastado voltou mais forte.
“O presidente Lula deve recomendar a saída do senador Jaques Wagner do posto de liderança do governo no Senado Federal, e isso vai livrar o governo das explicações”, disse Ana Amélia.
A jornalista também destacou que o escândalo envolve figuras de diferentes espectros políticos.
“Esquerda e direita, neste momento, estão se igualando em relação aos escândalos que estão se sucedendo em relação ao Banco Master”, observou, citando ainda o envolvimento de outros poderes, incluindo o Executivo e o Judiciário.
Ana Amélia descreveu Daniel Vorcaro como alguém que “operando como um chefe de máfia, só não matava os adversários, mas comprava a preço de ouro os interessados”, seja para manipular legislação de interesse do banco, seja para outros fins.
Cardozo defende presunção de inocência e cautela
José Eduardo Cardozo avaliou que a Polícia Federal está realizando um trabalho “absolutamente autônomo, com muita seriedade”, o que representaria um ponto favorável ao governo.
Ele comparou a situação com episódios do governo anterior, em que, segundo ele, houve tentativas de interferir na direção da corporação. “Isso não está acontecendo e nunca aconteceu no governo Lula”, afirmou Cardozo.
O comentarista defendeu a presunção de inocência de Wagner e se mostrou contrário ao pré-julgamento.
“Não se pode pré-julgar, não se pode assassinar reputações”, disse.
Cardozo recordou que, em uma investigação anterior envolvendo o senador, relógios encontrados em sua residência foram noticiados como valiosos, mas se revelaram peças de feira sem valor expressivo, e Wagner saiu “absolutamente intocado” daquela apuração.
Para ele, caso Wagner precise se afastar da liderança, isso deve ser tratado com cuidado entre ele e Lula, possivelmente por meio de uma licença temporária para se defender, sem renúncia ao cargo.
Comparação com o caso Ciro Nogueira
Ana Amélia avaliou que as situações de Jaques Wagner e Ciro Nogueira são igualmente negativas para seus respectivos lados políticos. Ela detalhou que ambos os parlamentares teriam atuado no Congresso em benefício de Daniel Vorcaro, especialmente em relação ao aumento do limite do Fundo Garantidor de Crédito, que passaria de 250 mil para um milhão de reais.
“O que seria um grande negócio e a sociedade brasileira é que pagaria essa conta”, afirmou.
Sobre os valores encontrados com Wagner — 55 mil dólares e 30 mil euros em seu quarto de hotel em Brasília —, Ana Amélia questionou a explicação de que seriam diárias de viagens internacionais não utilizadas, defendendo que deveriam ter sido devolvidas aos cofres públicos.
Cardozo discordou dessa interpretação, argumentando que diárias de viagem têm caráter indenizatório e não obrigam devolução caso não sejam integralmente gastas.
Quanto à comparação entre os dois casos, Cardozo ponderou que a situação de Ciro Nogueira apresenta, até o momento, mais ingredientes, citando supostos pagamentos mensais, despesas de hotéis e depósitos em empresas da família do parlamentar.