Nunca antes os EUA importaram tanta carne bovina do Brasil
Isenção temporária da tarifa anunciada por Donald Trump impulsiona exportação de carne bovina; vendas do Brasil para os Estados Unidos já vinham em alta e saltaram 41,8% em setembro
Em setembro, os EUA compraram 44,44 mil toneladas de carne bovina in natura do Brasil. Os dados foram divulgados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior) ligada do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O volume superou o recorde anterior registrado em abril de 2025, quando os embarques somaram 44,13 mil toneladas.
Ao somar as vendas de carne processada e industrializada, o volume total sobe para 48,3 mil toneladas.
As exportações brasileiras para o mercado norte-americano estão em trajetória de alta pelo quarto mês consecutivo. Porém deram um salto com a retirada das tarifas anunciadas por Donald Trump.
Recomendamos para você
Eleições 2026: como votaram as 10 cidades mais violentas do Brasil
Apesar de uma predominância de Lula nos votos, candidatos a governador apoiados pelo petista não g...
Publicado em 2026-10-07 13:05:19
Estrangeiros colocam recorde de R$ 10 bilhões na Bolsa brasileira após 1º turno; entenda o movimento
Dólar volta a cair e atinge menor valor desde maio; Bolsa recua, mas mantém 200 mil pontos...
Publicado em 2026-10-07 12:44:00
Calor extremo é risco para gestantes, avaliam profissionais da saúde
Pesquisa em cinco países aponta que 89% dos profissionais brasileiros ouvidos estão preocupados co...
Publicado em 2026-10-07 12:36:04De agosto para setembro o volume embarcado saltou 41,8% por causa da nova medida.
Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) destaca que "no acumulado de 2026 as 317,4 mil toneladas, de carne in natura e processada, enviadas aos EUA representam alta de 45%. É um mercado importante, com uma demanda específica. Esse movimento reforça a importância de termos diferentes destinos disponíveis para a carne brasileira”.
Ainda sem China o resultado mensal foi negativo
O apetite dos Estados Unidos ajuda mas não substituiu o espaço deixado pela China. Ao todo as exportações de carne bovina somaram 229,3 mil toneladas em setembro de 2026, queda de 35,1% em relação às 353,1 mil toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025.
O faturamento foi de US$ 1,38 bilhão frente aos US$ 1,90 bilhão registrados um ano antes.Ou seja, na comparação anual a receita recuou 27,6%. O percentual ligeiramente menor em relação a queda do volume se deve a valorização da tonelada da carne no mercado internacional.
Esse movimento já era esperado e se deve a redução dos embarques feitos para a China, após o preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas dentro das medidas de salvaguarda adotadas por Pequim.
Em setembro, os chineses compraram 12,9 mil toneladas, gerando US$ 75,2 milhões em faturamento. Ou seja, queda de 93,2% em volume e de 92,9% em valor na comparação anual.
O especialista em mercado pecuário Hyberville Neto, da HN Agro, destaca que a comparação anual é feita com embarques recordes registrados em 2025.
Apesar da forte retração nas vendas, entre julho e setembro, o especialista não descartada a possibilidade do Brasil registrar novo recorde nas exportações de carne bovina este ano.
Ao analisar o acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações brasileiras registraram uma queda de apenas 1,5% em relação ao mesmo período de 2025. "Recuar apenas 1,5% após um ano histórico como 2025 e diante de tantas adversidades, como restrições para a China e a União Europeia, demonstra ainda um resultado extremamente positivo".
Para Hyberville Netto "com a perspectiva de retomada das vendas para preencher a nova cota chinesa e o ritmo forte de embarques para os Estados Unidos, é muito provável que o Brasil fique muito próximo de um novo recorde histórico nas exportações de carne bovina".
Desempenho de outros mercados
Além dos Estados Unidos, outros destinos tradicionais e emergentes ampliaram as compras de carne bovina em setembro, de acordo com a Abiec:
- Chile: 19,4 mil toneladas (+87,2%) e US$ 117,5 milhões (+107,7%)
- Rússia: 13,1 mil toneladas (+20,5%) e US$ 66,5 milhões (+40,2%)
- União Europeia: 20 mil toneladas (+29,7%) e US$ 178,7 milhões (+34,7%)*****
- Indonésia: 9,4 mil toneladas (+822%) e US$ 33 milhões (+642,2%)
- Arábia Saudita: 7,7 mil toneladas (+35,8%) e US$ 44,4 milhões (+49,9%)
- Turquia: 5,9 mil toneladas (+129,5%) e US$ 34,8 milhões (+135,2%)
- Canadá: 4 mil toneladas (+870,7%) e US$ 22,9 milhões (+830,8%)
***** os números da UE se referem ao período anterior à interrupção dos embarques, a partir de setembro, com a entrada em vigor das novas exigências em relação ao não uso de antimicrobianos.