Nova IA facilita atendimento de pacientes com autismo; entenda como

Plataforma tecnológica tem ajudado profissionais que lidam com TEA no consultório terapêutico

Paulo Vito, colaboração para a CNN Brasil

Uma nova plataforma de IA (Inteligência Artificial) tem facilitado os atendimentos de pacientes com TEA (Transtorno do Espectro Autista). A tecnologia tem a missão de reduzir tempos gastos com trâmites rotineiros dos terapeutas, como atualizações em prontuários, agendamentos e gestão financeira, aumentando o foco no atendimento clínico.

A plataforma se chama TABA, em referência à ABA, sigla para Análise do Comportamento Aplicada, apontada hoje como a abordagem com maior respaldo científico para o tratamento do autismo.

A plataforma tem o foco de tornar os atendimentos mais direcionados ao paciente, registrando melhor seus desenvolvimentos clínicos e até facilitando o acompanhamento de familiares.

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Segundo Claudio Franco, CEO da Tivita, empresa responsável pela tecnologia, o uso da IA já impacta positivamente nos atendimentos dos profissionais que usam a plataforma, imprimindo maior transparência na comunicação.

Franco relata que terapeutas deixaram de gastar horas e passaram a dedicar apenas minutos com burocracias clínicas nos atendimentos, enquanto as clínicas passaram a ter mais clareza na evolução de cada paciente. O produto chegou a ser validado no Congresso de Jornada do Autismo no Rio de Janeiro.

"Quando especialistas da área reconhecem o problema que você resolveu, é porque o problema de fato existe e a solução faz sentido", avalia.

O CEO, no entanto, aponta que a tecnologia não substitui o terapeuta, apenas o conecta de forma melhor ao paciente, algo que poderá ser desenvolvido de forma tecnológica em outras áreas da medicina e das terapias.

Visão terapêutica

A importância da conexão entre paciente e profissional é algo reforçado por Grazieli Nicolini, fisioterapeuta e especialista em neuropediatria, e diretora técnica na Neurokids Saúde e Reabilitação, clínica que usa a TABA.

Segundo a profissional, a ABA é a ciência mais efetiva quando se fala em autismo. Para ela, a análise pode ser aplicada em ambientes corporativos, por exemplo, e ajuda a manter uma relação de trocas sobre a rotina de cada pessoa analisada.

"Existe uma base científica que é comum: os princípios da análise do comportamento valem para todo mundo. Reforçamento positivo, análise funcional, coleta de dados, generalização de habilidades. Isso não muda de paciente para paciente, é o alicerce da abordagem", aponta Graziele. "Mas o plano terapêutico é sempre individualizado, sem exceção. O autismo é um espectro, e espectro de verdade, não é só uma palavra bonita", segue.

Organização de informações

A fisioterapeuta explica que o fato de ser baseada em análise de dados faz com que a terapia ABA precise de um registro mais efetivo, algo que pode ser facilitado com o uso da tecnologia.

"Durante muito tempo, muitos profissionais precisaram fazer isso em papéis, planilhas ou anotações feitas apenas depois da sessão. E aí surgem desafios importantes: informações perdidas, diferenças entre registros da equipe e decisões tomadas mais pela percepção do que pelos dados reais", detalha.

"Nada vai substituir o olhar clínico, isso é óbvio, mas ter a tecnologia como aliada para fortalecer e facilitar o trabalho da equipe já é muito importante, porque os profissionais conseguem se dedicar 100% ao desenvolvimento da criança", segue.

De acordo com Nicolini, a TABA passou a agregar com a organização de informações, registros de evolução de cada paciente e identificação de padrões que impactam famílias e ambientes escolares.

"Também existe um ponto que considero muito especial: a tecnologia ajuda a tornar boas práticas mais acessíveis. E em um cenário em que a procura por atendimento ABA cresce cada vez mais, ampliar o acesso à qualidade faz diferença não apenas para as clínicas, mas principalmente para as crianças e famílias que vivem esse processo todos os dias", declara.

Origem da IA

A IA foi criada para resolver problemas como prontuários incompletos, relatórios de evolução inconsistentes, dados espalhados — algo que foi identificado quando passou a ajudar clínicas multidisciplinares a se organizarem melhor.

"Nesse contato próximo com as clínicas, especialmente as que atendem pacientes com diagnóstico do espectro autista, a gente foi entendendo uma dor muito específica: os terapeutas ABA vivem numa fragmentação enorme de ferramentas. Usam planilha para registrar dados de sessão, outro aplicativo para avaliação, outro para relatório, e às vezes ainda dependem de papel porque a sala de atendimento não tem infraestrutura adequada para o registro eletrônico (wi-fi, computadores)", explica Claudio Franco.

Franco afirma que a mudança na rotina do profissional que trabalha com TEA fez com que o foco dos atendimentos fosse direcionado principalmente ao paciente.

"Essa fragmentação não é só um problema operacional. Ela compromete a qualidade clínica. Quando o terapeuta perde tempo consolidando dados de fontes diferentes, ele tem menos tempo para pensar na evolução do paciente", avalia.

"A TABA nasceu da vontade de resolver isso de verdade, criando uma plataforma que fosse pensada do zero para a realidade das clínicas ABA brasileiras, e não uma adaptação de software estrangeiro", segue.

De acordo com o CEO, terapeutas tiveram um ganho imediato durante a coleta de dados, já que existem seis métodos diferentes de registro em um sistema que não precisa necessariamente estar conectado à internet.

"Mas o que mais nos orgulha é o que acontece depois da coleta. A plataforma usa inteligência artificial para gerar automaticamente, ou auxiliar o profissional a criar o Plano Educacional Individualizado do paciente a partir das avaliações feitas, e ainda produz resumos clínicos de cada sessão. Isso poupa horas de trabalho do terapeuta toda semana e reduz muito o risco de erro por fadiga ou esquecimento", detalha.

 

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/nova-ia-facilita-atendimento-de-pacientes-com-autismo-entenda-como/