Nova estratégia da Petrobras busca tornar fertilizantes mais competitivos
Companhia detalha estratégia de expansão com redução de custos e disciplina de capital para o setor
A ampliação que a Petrobras pretende realizar no mercado de fertilizantes será focada em rentabilidade, redução de custos e disciplina de capital. A sinalização foi dada pela presidente da companhia, Magda Chambriard, ao detalhar a estratégia da estatal para a retomada de projetos no setor, com destaque para a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Mato Grosso do Sul, e para possíveis expansões do parque fabril já existente.
Segundo a executiva, uma das principais mudanças adotadas pela Petrobras está no modelo de contratação das grandes obras. Em vez de concentrar os projetos em poucos contratos de grande porte, a companhia passou a dividir os empreendimentos em um número maior de frentes de trabalho, estratégia que já vem sendo aplicada em refinarias e também na UFN3.
De acordo com Magda, o objetivo é evitar a concentração das obras em poucas empresas, o que historicamente elevava os custos para a estatal. “Muita obra para pouca empresa significa custo alto”, resumiu.
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Publicado em 2026-06-24 18:40:31Mais competitividade
A nova lógica, explica, amplia o número de fornecedores aptos a participar das licitações, aumenta a competitividade e torna os projetos mais atrativos economicamente, ainda que exija maior esforço de integração por parte da Petrobras.
Além da redução de custos, a divisão dos contratos também ajuda a distribuir os riscos de execução.
No caso da UFN3, Magda afirmou que a unidade será a planta de fertilizantes mais moderna da Petrobras quando entrar em operação.
A avaliação é de que, por ser a última unidade do parque a ser concluída, o projeto deveria incorporar tecnologias mais atualizadas do que as presentes nas demais fábricas em funcionamento.
A presidente destacou que a nova planta contará com equipamentos e soluções capazes de elevar a eficiência industrial, com impacto direto no consumo energético e nas emissões. Para a Petrobras, esse é um ponto central na conta do negócio, já que energia representa um dos principais custos da produção de fertilizantes nitrogenados.
Com menor consumo energético, a expectativa da companhia é produzir fertilizantes a custos mais baixos e, consequentemente, elevar a rentabilidade do projeto. Na visão da estatal, a modernização da UFN3 é um passo importante para tornar a operação mais eficiente e competitiva.
Magda também indicou que a Petrobras avalia novas expansões no segmento, mas descartou, por ora, a ideia de avançar em projetos a qualquer custo. Segundo ela, a prioridade é estudar o crescimento da capacidade produtiva nas localidades onde a companhia já opera, aproveitando a infraestrutura instalada e reduzindo despesas logísticas, burocráticas e operacionais.
A estratégia envolve as unidades do Nordeste e do Sul, além da retomada da UFN3, que já estava com 85% das obras concluídas em Mato Grosso do Sul. Em vez de apostar necessariamente em plantas greenfield — construídas do zero —, a Petrobras quer avaliar alternativas de expansão em áreas já consolidadas, compartilhando estruturas e diminuindo a necessidade de novos investimentos em infraestrutura.
Apesar do apetite por crescer no setor, Magda não garantiu a duplicação da capacidade produtiva da estatal em fertilizantes. Segundo ela, esse movimento ainda está em fase de estudo. A executiva, no entanto, reforçou que há interesse da Petrobras em expandir sua presença no segmento, principalmente pelo potencial de integração com outro mercado estratégico para a companhia: o gás natural.
Isso porque a produção de fertilizantes nitrogenados depende diretamente do gás, insumo que a Petrobras pretende comercializar em volumes crescentes nas próximas décadas, apoiada nas reservas do pré-sal. Nesse contexto, a ampliação do parque de fertilizantes aparece também como uma forma de ancorar demanda para o gás natural produzido pela estatal.