O Nobel de Química de 2026 reuniu dois pesquisadores de gerações e países diferentes, ligados pelo mesmo problema científico. O francês Henri B. Kagan e o japonês Kenso Soai foram premiados nesta quarta-feira (7) pela Academia Real das Ciências da Suécia e dividem igualmente os 12 milhões de coroas suecas.

Henri B. Kagan

Em 1986, descobriu o efeito não linear, um modo de conduzir reações químicas que gera excesso de uma das versões espelhadas de uma molécula maior do que se julgava possível. A academia sueca considera esse o primeiro passo decisivo para explicar como a homoquiralidade pode surgir.

Kenso Soai

Soai nasceu em 1950, em Hiroshima, no Japão, e tem [checar: 75 ou 76] anos. Fez doutorado na Universidade de Tóquio, concluído em 1979, e é professor emérito da Universidade de Ciências de Tóquio.

Em 1995, publicou o desenho da primeira reação química com potencial para ser homoquiral, baseada na autocatálise, em que o produto acelera a própria formação. Em 2003, conseguiu uma reação que produzia apenas uma das imagens espelhadas, feito até então restrito aos seres vivos.

O trabalho dos dois se encaixa. Kagan mostrou que a pureza de uma reação pode crescer além do esperado. Soai levou essa amplificação ao limite, com uma molécula que fabrica cópias de si mesma até eliminar a versão concorrente.

O que é o Prêmio Nobel?

A láurea foi criada pelo químico e empresário Alfred Nobel. Inventor da dinamite em 1867, o sueco doou a maior parte de sua fortuna em testamento para a criação de prêmios de física, química, medicina, literatura e paz (o prêmio de economia foi criado anos mais tarde).

O documento dizia que os prêmios deveriam ser concedidos "àqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior benefício à humanidade".

Contudo, hoje em dia, conforme explica Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska, o júri do Nobel de Medicina, essa regra não é mais tão levada à risca.

"Você pode ter feito essa descoberta em um estágio muito inicial de sua carreira de pesquisa, ou pode ter feito essa descoberta em um estágio muito avançado de sua carreira de pesquisador", ressalta a pesquisadora.

Como o prêmio é escolhido?

Todos os anos, o Comitê do Nobel envia um pedido de nomeação para membros da comunidade científica.

Isso significa que alguns candidatos elegíveis recebem um convite especial para enviar seus nomes. Sem esse convite, nenhum postulante pode concorrer ao prêmio.

"Você não pode se nomear, mas membros de comunidades científicas, reitores de faculdades de medicina, ex-laureados com o Prêmio Nobel e outros que trabalham no ramo científico mais amplo e que receberam esse pedido podem fazer uma indicação", diz Zierath.

Quantas pessoas podem compartilhar o mesmo prêmio?

Até três pessoas podem compartilhar um Prêmio Nobel, ou uma organização pode ganhar a láurea da Paz.

A Fundação Nobel, responsável por realizar os desejos do seu fundador, ressalta que essa regra está descrita no testamento de Alfred Nobel.

“Em nenhum caso o valor do prêmio pode ser dividido entre mais de três pessoas", destaca um trecho do documento. Alguns pesquisadores, porém, criticam essa escolha e afirmam que as descobertas científicas de hoje em dia são muito mais coletivas: um trabalho de vários pesquisadores.

A láurea pode ser concedida postumamente? Tem limite de idade?

Não, um Prêmio Nobel não pode ser concedido postumamente.

Apesar, disso, a Fundação ressalta que, desde 1974, se o destinatário do prêmio falecer após o anúncio, a láurea ainda poderá ser concedida.

Sobre o limite de idade, o prêmio também não tem uma regra a respeito.

"O que eu diria é que, na maioria das vezes, levamos muitos anos até que o campo científico reconheça que a descoberta que você fez é uma distinção que deveria ser considerada para um Prêmio Nobel. Então, às vezes você tem que ser bastante paciente", ressalta Zierath.



Fonte: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2026/10/07/nobel-de-fisica-2025-veja-o-perfil-dos-vencedores.ghtml