A Academia Real de Ciências das Suécia anuncia nesta quarta-feira (7) o vencedor do Nobel de Química 2026. O laureado receberá o prêmio de 12 milhões de coroas suecas (R$ 6,2 milhões) concedido pela Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, da Suécia. ?Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Os ganhadores em 2025 O Nobel de Química de 2025 reconheceu o cientista japonês Susumu Kitagawa, o britânico Richard Robson e Omar M. Yaghi, da Jordâni pelo desenvolvimento das estruturas metal-orgânicas, conhecidas como MOFs (metal-organic frameworks, em inglês) – materiais ultraporosos capazes de capturar, armazenar e separar moléculas em nível atômico. ??Cada estrutura é composta por íons metálicos (como cobre, zinco ou cobalto) ligados a longas cadeias orgânicas que formam um cristal com inúmeros poros microscópicos. Esses “buracos” são tão pequenos e organizados que permitem capturar gases, armazenar energia ou separar moléculas específicas — uma espécie de “engenharia de espaços vazios” dentro da química. Os MOFs são tão porosos que alguns gramas do material têm área interna equivalente a um campo de futebol. Isso significa que eles conseguem absorver quantidades imensas de gás ou vapor em comparação com outros materiais. A pesquisa começou ainda nos anos 1980, quando Richard Robson percebeu que poderia usar a atração natural entre íons metálicos e moléculas orgânicas para criar cristais com cavidades internas. Mais tarde, Susumu Kitagawa, da Universidade de Kyoto, mostrou que esses materiais podiam ser estáveis e flexíveis — capazes de absorver e liberar gases sem se desmanchar. Já Omar Yaghi, da Universidade da Califórnia em Berkeley, desenvolveu versões ultrarresistentes, como o MOF-5, que permanece intacto mesmo a 300 °C e pode ser moldado conforme a necessidade do uso. Embora ainda sejam estudados principalmente em laboratório, os MOFs já têm aplicações reais e promissoras como a captura de CO? em fábricas e usinas, a purificação da água e a produção de chips e semicondutores. Curiosidades sobre o Nobel de Química Desde 1901, o Nobel de Química já premiou quase 200 cientistas, entre eles Marie Curie, Linus Pauling e Ahmed Zewail. O mais jovem laureado foi Frédéric Joliot, premiado em 1935 aos 35 anos, por suas pesquisas sobre radioatividade. Já o mais velho foi John B. Goodenough, que recebeu o Nobel em 2019, aos 97 anos, pelas baterias de íon-lítio — tecnologia presente em celulares, notebooks e carros elétricos. Marie Curie é a única pessoa a ganhar dois Nobéis em áreas diferentes: Física (1903) e Química (1911) Nobel 2026 A láurea em Medicina é sempre a primeira a ser anunciada. Os prêmios em Física, Química, Literatura e Paz são entregues ao longo da semana; já a láurea em Economia será divulgada na próxima segunda (12). Veja o cronograma: Medicina: segunda-feira, 5 de outubro Física: terça-feira, 6 de outubro Química: quarta-feira, 7 de outubro Literatura: quinta-feira, 8 de outubro Paz: sexta-feira, 9 de outubro Economia: segunda-feira, 12 de outubro Veja, abaixo, perguntas e respostas sobre o prêmio. O que é o Prêmio Nobel? A láurea foi criada pelo químico e empresário Alfred Nobel. Inventor da dinamite em 1867, o sueco doou a maior parte de sua fortuna em testamento para a criação de prêmios de física, química, medicina, literatura e paz (o prêmio de economia foi criado anos mais tarde). O documento dizia que os prêmios deveriam ser concedidos "àqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior benefício à humanidade". Um busto do fundador do Prêmio Nobel, Alfred Nobel, em exibição durante cerimônia de entrega da láurea em 2018, em Estocolmo. Henrik Montgomery/Pool Photo via AP, File Contudo, hoje em dia, conforme explica Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska, o júri do Nobel de Medicina, essa regra não é mais tão levada à risca. "Você pode ter feito essa descoberta em um estágio muito inicial de sua carreira de pesquisa, ou pode ter feito essa descoberta em um estágio muito avançado de sua carreira de pesquisador", ressalta a pesquisadora. Como o prêmio é escolhido? Todos os anos, o Comitê do Nobel envia um pedido de nomeação para membros da comunidade científica. Isso significa que alguns candidatos elegíveis recebem um convite especial para enviar seus nomes. Sem esse convite, nenhum postulante pode concorrer ao prêmio. "Você não pode se nomear, mas membros de comunidades científicas, reitores de faculdades de medicina, ex-laureados com o Prêmio Nobel e outros que trabalham no ramo científico mais amplo e que receberam esse pedido podem fazer uma indicação", diz Zierath. Quantas pessoas podem compartilhar o mesmo prêmio? Até três pessoas podem compartilhar um Prêmio Nobel, ou uma organização pode ganhar a láurea da Paz. A Fundação Nobel, responsável por realizar os desejos do seu fundador, ressalta que essa regra está descrita no testamento de Alfred Nobel. A medalha do Prêmio Nobel. The Nobel Prize Foundation “Em nenhum caso o valor do prêmio pode ser dividido entre mais de três pessoas", destaca um trecho do documento. Alguns pesquisadores, porém, criticam essa escolha e afirmam que as descobertas científicas de hoje em dia são muito mais coletivas: um trabalho de vários pesquisadores. A láurea pode ser concedida postumamente? Tem limite de idade? Não, um Prêmio Nobel não pode ser concedido postumamente. Apesar, disso, a Fundação ressalta que, desde 1974, se o destinatário do prêmio falecer após o anúncio, a láurea ainda poderá ser concedida. Sobre o limite de idade, o prêmio também não tem uma regra a respeito. "O que eu diria é que, na maioria das vezes, levamos muitos anos até que o campo científico reconheça que a descoberta que você fez é uma distinção que deveria ser considerada para um Prêmio Nobel. Então, às vezes você tem que ser bastante paciente", ressalta Zierath.

Fonte: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2026/10/07/nobel-de-quimica-2026.ghtml

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