Centenas de pelicanos famintos estão se concentrando em portos e mercados costeiros do Peru em busca de alimento, um sinal cada vez mais visível do fortalecimento do fenômeno climático El Niño, que ameaça setores-chave da economia do país.

Cientistas afirmam que o aumento da temperatura do oceano, associado ao El Niño, está alterando os ecossistemas marinhos na costa do Pacífico peruano, reduzindo os estoques de peixes e forçando os pelicanos a se deslocarem para áreas urbanas. Algumas aves recebem restos de peixe de pescadores e comerciantes, mas outras podem não sobreviver.

“É isso que acontece: as aves deixam suas áreas de reprodução e morrem por falta de alimento”, disse o biólogo marinho Carlos Zavalaga.

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Especialistas em clima alertaram para um El Niño forte ou até um “super” fenômeno neste ano, aumentando os riscos de secas, enchentes e ondas de calor.

As preocupações econômicas também estão crescendo. A indústria pesqueira do Peru teme que as exportações fiquem abaixo da projeção de US$ 5 bilhões neste ano, depois de as vendas terem alcançado US$ 4,6 bilhões em 2025, segundo Alfonso Miranda, ex-vice-ministro da Pesca e presidente de um comitê para a gestão sustentável da lula-gigante no Pacífico Sul.

“Há muita incerteza sobre o que pode acontecer”, afirmou Miranda.

As temperaturas da superfície do mar estão entre 2°C e 5°C acima do normal, de acordo com a agência peruana de monitoramento do El Niño, a ENFEN. Isso está levando espécies comerciais importantes a migrarem para águas mais profundas. A atividade industrial do setor pesqueiro caiu 31% nos primeiros cinco meses deste ano, enquanto a agricultura cresceu apenas 0,4%, afetada pelas temperaturas mais elevadas.

Em 15 de julho, o Congresso do Peru aprovou um aumento de US$ 2,8 bilhões no orçamento para financiar obras de infraestrutura e reforçar a preparação para as fortes chuvas associadas às condições climáticas adversas, medidas que, segundo o setor agroexportador, ainda são insuficientes.

O Peru, terceiro maior produtor mundial de cobre, também é um dos principais produtores de farinha de peixe e exportadores agrícolas, enviando ao exterior produtos como mirtilos. As exportações agrícolas atingiram o recorde de US$ 15,1 bilhões em 2025, mas os produtores alertam que as perspectivas estão piorando justamente quando começa a principal temporada de cultivo.

Gabriel Amaro, representante da associação peruana de produtores agrícolas (AGAP), afirmou que o El Niño deverá custar ao setor cerca de US$ 1 bilhão em receitas adicionais de exportação que eram previstas para este ano.

“Acreditamos que este El Niño pode ser o pior dos últimos 50 anos”, disse ele.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/no-peru-pelicanos-famintos-sinalizam-fortalecimento-do-el-nino/