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Todos sabem que a esquerda latino-americana vem sofrendo uma série de reveses nos últimos tempos. A direita conseguiu vitórias eleitorais importantes no Chile, Equador, Bolívia, Peru e Colômbia, para não falar no sucesso de Milei na Argentina. Maduro foi capturado, embora os socialistas Delcy e Jorge Rodríguez, os Irmãos Sinistros, continuem no poder. O regime cubano parece estar com os dias contados. Salvo engano deste cronista, desde que Trump fechou a torneira de verbas da USAID, nenhuma eleição relevante foi vencida pelos candidatos do Foro de São Paulo. Espera-se, por misericórdia, que o Brasil não constitua uma exceção nas eleições vindouras.
Os triunfos eleitorais da direita significam que o movimento revolucionário se tornou coisa do passado? A resposta só pode ser um enfático e rotundo NÃO. Primeiro, porque é da própria natureza desse movimento a capacidade de aproveitar-se das eventuais derrotas para reformular suas táticas (ou, às vezes, suas estratégias). Depois, porque a esquerda sabe que o verdadeiro poder não está nos cargos eletivos, mas nos agentes que detêm os meios de ação política, jurídica e cultural, campos em que o domínio da esquerda segue absoluto, principalmente no Brasil.
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Publicado em 2026-06-24 13:53:14Recentemente, o ocupante da Presidência da República, em reunião com seus companheiros globalistas no G7, afirmou que nunca foi esquerdista. Para contextualizar essa declaração do Lula, é necessário saber que os termos direita e esquerda nascem em 1789 na Assembleia Nacional Francesa, ou seja, em uma situação revolucionária. De lá para cá, o movimento revolucionário sempre incorporou esses termos para descrever a sua dinâmica interna. Na Rússia de Stálin e na China de Mao, havia esquerda e direita. Em 1920, quando já era ditador, Lênin publicou o livro “Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo” para enquadrar seus companheiros de partido que exigiam medidas mais radicais nos rumos da revolução (foi mais ou menos nessa época que Lênin descobriu, ao ler um célebre ensaio de Ludwig von Mises, que economia socialista non ecziste, como diria Padre Quevedo). E nós, aqui no Brasil, até ontem não achávamos que o PSDB de Aécio Neves e Geraldo Alckmin era “de direita”?
Se a direita de verdade é sempre extrema, o arco de possibilidades aceitáveis da política permanece restrito ao campo revolucionário
Quando você vê alguém bradando contra a “polarização”, saiba que provavelmente está diante de 1) um simplório que repete como papagaio algo que não compreende; ou 2) um vigarista que pretende retornar ao tempo em que a esquerda dominava completamente todo o debate público, ou seja, ao “teatro das tesouras”. Não é por outro motivo que a velha mídia e seus especialistas qualificam todo e qualquer candidatura, que vagamente lembre o conservadorismo, como “extrema-direita”. Se a direita de verdade é sempre extrema, o arco de possibilidades aceitáveis da política permanece restrito ao campo revolucionário. E aqui lhes dou uma dica: sempre que um candidato de direita não é chamado de extremista pela esquerda, é cilada, Bino: ele é de esquerda.
Lula pode dizer, sem pudor (o que, aliás, jamais foi seu forte), que jamais foi de esquerda, assim como Lênin podia adotar medidas de apoio ao livre mercado em 1920, sem enrubescer, desde que os meios de ação permaneçam nas mãos do movimento revolucionário. A revolução nunca foi, e nunca será, a socialização dos meios de produção, mas a concentração do poder político e econômico nas mãos de uma elite mafiosa que organiza o sistema predatório sobre determinada sociedade.
Vitórias eleitorais nada significam se todos os meios efetivos de exercício do poder se encontram nas mãos da elite revolucionária, como precisamente hoje ocorre no Brasil. Tempos atrás, eu afirmei numa crônica, para escândalo de alguns, que em nosso país até a direita é de esquerda, ou seja, pensa nos termos e nas pautas que já foram definidas previamente pelo movimento revolucionário. A tendência dos brasileiros em esperar que o Estado (desde que ocupado pelas pessoas certas) ou novas leis (desde que elaboradas com boas intenções) possam resolver todos os problemas da sociedade e atingir o bem comum reflete um estado de espírito coletivo que nos enjaula dentro da política e da vã esperança de que, agora sim, salvaremos a pátria.
Lamento informar que esse é o mundo sonhado por Antonio Gramsci, em que todos seriam socialistas, mesmo sem saber. Até a direita.
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