Nível de aprovação de Lula dificulta reeleição, mostra levantamento

Dados do cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida indicam que petista está próximo da faixa historicamente associada a derrotas eleitorais de governos com baixa avaliação popular

Danilo Cruz, *, em São Paulo

Desde a redemocratização, nenhum presidente com aprovação inferior a 33% conseguiu se reeleger ou eleger um sucessor, segundo levantamento do cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida, com base em pesquisas do Datafolha. Às vésperas do primeiro turno, Lula (PT), candidato à reeleição, registrava 35% de avaliações positivas de ótimo ou bom.

Almeida classifica essa posição como "limbo", no qual ainda se encontra possibilidades de vitória e derrota para as campanhas. Ela ocorre quando o candidato tem entre 34 e 45% de aprovação. Até o momento, cinco eleições foram definidas nessa faixa, mas todas com vitória do governo no poder.

Lula passou grande parte de 2025 e 2026 abaixo desse patamar, entre 31 e 33%. De acordo com o cientista político, esse espaço é tratado como "inferno", em que todas as tentativas eleitorais há derrota.

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"A situação de Lula é muito delicada, desde março eu vinha dizendo isso. Ele melhorou agora recentemente", comenta Almeida ao WW. "Ele teve uma pequena melhora nessa reta final. Vai continuar nesses próximos 14 dias? Ninguém sabe. Se ele melhorar muito, a situação dele pode ficar mais favorável. Agora, se ficar estabilizado do jeito que está, ele caminha para uma derrota."

O cenário de "inferno" ocorreu em 1989, quando José Sarney (PMDB) com 5% de aprovação, apoiou a candidatura de Ulysses Guimarães ao Planalto, que terminou derrotado. Em 2002, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com 22% de avaliações positivas, tentou emplacar José Serra (PSDB) como sucessor, o que resultou na primeira vitória de Lula à Presidência. Henrique Meirelles, do mesmo partido do então presidente Michel Temer (PMDB), que tinha 4% de aprovação, também não venceu a disputa.

Por fim, Jair Bolsonaro (PL) não foi reeleito e entrou nas urnas, antes do primeiro turno, com 29% de aprovação.

A última categoria, chamada de “céu”, ocorre quando um governante tem mais de 46% de aprovação. Ali, segundo o cientista político, as chances de derrota são pequenas. Isso ocorreu somente duas vezes nas últimas nove eleições, com Lula sendo reeleito em 2006 e formando a sucessora, Dilma Rousseff (PT), em 2010, quando tinha 80% de aprovação.

"É normal quando você avalia bem um governo, você vota para continuar o governo. Quando você avalia mal, você vota pela mudança, para o candidato que representa a mudança de governo", finalizou Almeida.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/nivel-de-aprovacao-de-lula-dificulta-reeleicao-mostra-levantamento/