O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou ataques contra os subúrbios do sul de Beirute, capital do Líbano, controlados pelo grupo Hezbollah, nesta segunda-feira (1º), sinalizando uma escalada ainda maior da guerra que tem complicado a mediação para a resolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irã.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira que os ataques israelenses no Líbano estão entre os fatores que causam atraso no processo diplomático para o fim da guerra entre Teerã e Washington, reiterando que um cessar-fogo no Líbano é parte integrante de qualquer acordo.
Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, ordenaram que as forças armadas israelenses atacassem “alvos terroristas” nos subúrbios do sul de Beirute, conhecidos como Dahiyeh, após as “repetidas violações” do cessar-fogo pelo Hezbollah e os “ataques contra nossas cidades e cidadãos”, segundo um comunicado do gabinete do primeiro-ministro israelense.
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Publicado em 2026-06-01 08:10:14Após ter bombardeado Dahiyeh nas primeiras semanas da guerra, Israel realizou apenas dois ataques na região desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo no Líbano em 16 de abril, mesmo com as hostilidades em curso no sul do país.
Israel captura castelo de 900 anos
A ordem surge após a intensificação das hostilidades no sul do país durante o fim de semana, com tropas israelenses capturando o Castelo de Beaufort, com 900 anos de história, e Netanyahu ordenando que as forças armadas expandissem as operações terrestres.
As autoridades libanesas afirmam que mais de 3.370 pessoas foram mortas no país em decorrência de ataques israelenses desde 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio ao Irã, que estava sob ataque conjunto americano e israelense.
Israel afirma que 24 de seus soldados e quatro civis foram mortos no mesmo período.
Israel estabeleceu uma zona de segurança autodeclarada no sul do Líbano, onde vem arrasando aldeias, alegando que o objetivo é proteger o norte de Israel de militantes do Hezbollah infiltrados em áreas civis.
A guerra no Líbano tem sido o desfecho mais sangrento do conflito dos EUA e de Israel contra o Irã, forçando mais de um milhão de pessoas a fugir de suas casas, segundo as autoridades libanesas.
No domingo (31), Netanyahu ordenou que as forças armadas israelenses expandissem “suas manobras terrestres no Líbano”, visando “aprofundar e ampliar nosso controle sobre os locais que estavam sob o domínio do Hezbollah”.
Acusando Israel de violações do cessar-fogo e declarando o direito de resistir à ocupação israelense, o Hezbollah afirmou ter realizado 21 operações no domingo, incluindo o lançamento de uma salva de foguetes contra o que descreveu como infraestrutura militar israelense na cidade israelense de Nahariya.
França convoca conselho de segurança da ONU
Citando a escalada da violência no Líbano, a França convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para esta segunda-feira (1º).
Os Estados Unidos têm sediado uma série de encontros raros entre representantes dos governos de Israel e do Líbano desde o início das hostilidades, com a presença de Beirute apesar das fortes objeções do Hezbollah.
Mas uma fonte libanesa familiarizada com a diplomacia entre Beirute e Washington afirmou que o anúncio de Netanyahu nesta segunda-feira refletiu a deterioração das negociações diplomáticas lideradas pelos EUA nos últimos dias.
Um funcionário americano afirmou no domingo (31) que o secretário de Estado Marco Rubio conversou com o presidente libanês Joseph Aoun e com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu sobre as negociações diplomáticas entre Israel e Líbano e que propôs um plano para permitir uma “desescalada gradual”.
Os EUA propuseram que, como primeiro passo, o Hezbollah cesse todos os ataques contra Israel e, em troca, Israel se abstenha de intensificar o conflito em Beirute, disse o funcionário.
“Isso criaria espaço para uma desescalada gradual e uma cessação efetiva das hostilidades”, afirmou o funcionário.
A fonte oficial acrescentou que Aoun tentou avançar com a proposta e garantir um acordo. No entanto, o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que afirmou “garantir” o compromisso do Hezbollah com um cessar-fogo, colocou a responsabilidade sobre Israel de “parar de atirar primeiro”.
Berri, um aliado próximo do Hezbollah, em um comentário divulgado pela mídia libanesa no domingo, disse que garantiria “o compromisso total e imediato da resistência com um cessar-fogo”, referindo-se ao Hezbollah.
“Mas a questão é: quem obrigará Israel a parar sua agressão?”, questionou ele.