O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sai de cabine de votação durante eleições gerais de Israel, em Jerusalém, em 27 de outubro de 2026. Yonatan Sindel/ Reuters O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, denunciou nesta terça-feira (27) supostas tentativas de fraude nas primeiras eleições do país desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023. A votação é marcada por forte polarização e comparecimento elevado às urnas. A eleição ocorre após três anos de guerras regionais desencadeadas pelos ataques, em meio a questionamentos sobre a resposta de Israel e com a segurança no centro da campanha. As pesquisas mais recentes indicam empate entre Netanyahu e seu principal adversário, o centrista Gadi Eisenkot, ex-comandante militar que entrou recentemente na política e tem perfil moderado. A participação nas eleições chegou a 44,9% durante a tarde, o maior índice desde 1973, segundo dados da comissão eleitoral. Os locais de votação estavam previstos para fechar às 22h (17h de Brasília). O Likud, partido de Netanyahu, pediu a prorrogação do horário, mas a legenda de Eisenkot, Yashar, se opôs à medida, alegando que “não ocorreu nenhum incidente excepcional” que a justificasse. Com seu futuro político em jogo, Netanyahu acusou “três dirigentes” do partido árabe Lista Árabe Unida (Ra’am) de “tentar roubar as eleições”. Os três foram detidos no sul do país com envelopes cheios de dinheiro. As autoridades eleitorais, porém, afirmaram que eles foram detidos perto de suas casas e “ainda não haviam chegado aos locais de votação”. Segundo a comissão, trata-se de um “caso isolado” que está sob investigação. O líder do Ra’am, Mansur Abbas, acusou Netanyahu de “mentir” e “espalhar medo” para mobilizar os eleitores de direita. Já o partido Yashar afirmou que o primeiro-ministro tenta preparar o terreno para contestar os resultados em caso de derrota. Em Tel Aviv, a polícia também prendeu um homem armado com uma faca que se aproximou de forma ameaçadora do líder de esquerda Yair Golan. “A incitação e a violência não vão nos intimidar”, declarou Golan em um comunicado. A eleição ocorre em meio ao crescente isolamento internacional de Israel, provocado pela campanha militar em Gaza, pela expansão dos assentamentos e pela violência de colonos na Cisjordânia ocupada. O país também enfrenta o avanço da extrema direita e do nacionalismo religioso. "Agora ou nunca" Dezenas de milhares de israelenses que vivem no exterior voltaram ao país exclusivamente para votar. “Sinto que este é o momento decisivo. É agora ou nunca. Caso contrário, o país realmente não vai sobreviver”, disse Eilana Zisblit, que retornou a Israel pela primeira vez após viver quase 30 anos no Canadá. “O país está seguindo por um caminho muito, muito ruim. Isso vale tanto para os judeus e árabes que vivem aqui quanto para os judeus que vivem no exterior”, afirmou a mulher de 55 anos, que votou no bloco de Eisenkot. A avaliação reflete a profunda divisão entre os quase 10 milhões de habitantes de Israel, segundo relatos de eleitores ouvidos recentemente pela Agência France-Presse (AFP). “Esta é a eleição mais importante porque metade do país rejeitou os valores básicos sobre os quais o Estado de Israel foi criado”, disse Noam, de 78 anos. Zipporah Bennett, aposentada de 85 anos, afirmou que votaria em Netanyahu “porque ele tem experiência para conduzir o país em momentos difíceis”. O “pior governo” Netanyahu, de 77 anos, ocupou o cargo de primeiro-ministro de Israel por 19 anos, somados seus diferentes mandatos. Nesta campanha, concentrou o discurso na segurança e destacou sua relação próxima com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após retornar ao poder, em dezembro de 2022, o premiê conservador envolveu Israel em várias guerras. Gaza ficou em ruínas, Israel ocupou o sul do Líbano e bombardeou o Irã, seu rival regional, com apoio dos Estados Unidos. Os israelenses também foram alvo de ataques do Irã, do Hamas, do Hezbollah, grupo libanês, e dos houthis, do Iêmen. Além disso, o país sofreu o pior ataque de sua história, pelo qual muitos responsabilizam Netanyahu. Eisenkot, de 66 anos, prometeu criar uma comissão independente para investigar as falhas de segurança que permitiram os ataques do Hamas. O governo de Netanyahu rejeitou a proposta. O partido Yashar lidera uma aliança informal que reúne forças políticas da direita à centro-esquerda. Eisenkot se opõe à criação de um Estado palestino e apoia os assentamentos israelenses, mas prometeu conter a violência de colonos na Cisjordânia. Netanyahu, por sua vez, conta com o apoio de uma coalizão que inclui grupos de extrema direita ultranacionalista e partidos ultraortodoxos, cuja influência cresceu nos últimos anos. A divulgação dos resultados finais pode levar dias. É pouco provável que um único partido consiga se aproximar das 61 cadeiras necessárias para obter maioria no Parlamento israelense, o Knesset, que tem 120 assentos. Os partidos que representam a população árabe, equivalente a 21% dos habitantes do país, podem ser decisivos na formação de uma maioria. Até o momento, porém, nem Eisenkot nem Netanyahu anunciaram a possibilidade de formar alianças com essas legendas.

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/27/netanyahu-denuncia-tentativa-de-fraude-nas-eleicoes-em-israel.ghtml

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