Ouça este conteúdo
Recentemente, o TST condenou uma empresa por ausência de mulheres em cargos de gerência. O fundamento da condenação não residia em caso específico de assédio, ou em prática de discriminação explícita, ou em tipo de privilégio conferido aos empregados homens. Na realidade, a condenação teve como elemento fundamental de prova apenas a disparidade estatística: se metade da população da cidade é de mulheres, então por que não há mulheres nos mais de vinte cargos de gerência?
Veja-se que, para se fazer um estudo estatístico em ciências sociais, são necessários múltiplos fatores, variáveis de controle, e testes com diferentes métodos estatísticos. Mas para condenar uma empresa? Basta uma comparação global, feita no olho mesmo, com apenas um único indicador.
Recomendamos para você
Cristiano Ronaldo brilha após críticas e comentarista reage: “Me perdoe”
Após defender que Cristiano Ronaldo deveria ser banco, comentarista recua e admite: "Você calou a ...
Publicado em 2026-06-24 16:25:25
Zema reconhece crise com PL, mas diz que não se arrepende de críticas a Flávio
Pré-candidato do Novo à presidência da República criticou pedido de dinheiro de Flávio a Vorcar...
Publicado em 2026-06-24 15:58:34
Após críticas, Tarcísio diz que Haddad 'precisa estudar' sobre privatização da Sabesp e cita investimentos
Após críticas, Tarcísio diz que Haddad 'precisa estudar' sobre privatização da Sabesp e...
Publicado em 2026-06-24 15:04:39A simplificação do argumento estatístico é evidente: por que considerar a população total e não, por exemplo, a população economicamente ativa, essa sim aberta à possibilidade de contratação? E por que não considerar o número de pessoas habilitadas a contratação ou promoção, com a educação, a experiência e o treinamento necessários à função? Ainda que se concorde com o argumento da representatividade estatística, é errado utilizar a população total como critério único de aferição de disparidade.
O objetivo do comunismo nunca é realmente o de ajudar a nenhuma das categorias protegidas; o objetivo é sempre a conquista e a manutenção do poder
Note-se ainda o afastamento do princípio da legalidade e a inversão do ônus da prova: é a empresa, e não os seus acusadores, que deve demonstrar que não pratica discriminação. Para não falar do afastamento da livre-iniciativa, do capitalismo, da liberdade de contratar e de ser contratado. Esse tipo de decisão é parte do esforço de desmonte das liberdades individuais e do devido processo legal, que o Ocidente vem sofrendo há tempos.
Mas o mais perigoso nesse tipo de decisão é o que ele representa em termos de valores para a sociedade. A comprovação de racismo e discriminação não exige mais nenhum comportamento direto, nenhum ato comissivo desempenhado por ninguém; basta que se constate algum tipo de “disparidade” na realidade. Essa constatação, combinada com as chamadas “teorias críticas” – que partem da premissa de que todo e qualquer problema social contém em si uma relação maniqueísta de poder –, leva forçosamente à conclusão de que a disparidade é causada por racismo, patriarcado, opressão etc.
Por exemplo, se num acidente de ônibus morrerem mais mulheres do que homens, pode-se dizer que isso é um problema do patriarcado. Por qual motivo exatamente? Qual o mecanismo causal que conecta o patriarcado ao fato de mais mulheres terem morrido nesse determinado acidente de ônibus?
VEJA TAMBÉM:
Os motivos e mecanismos encontram-se depois; mas a premissa da opressão já está dada. É por isso que temos visto coisas como ar-condicionado machista, arquitetura machista, e assim por diante. Com a teoria crítica na mente, basta olhar para qualquer disparidade e concluir: é racismo, é machismo, é discriminação.
Disso resulta que o combate à opressão é apenas legítima defesa. Punir aqueles responsáveis por essa “opressão” seria apenas a consequência necessária dessa lógica. Nessa visão de mundo, pedir para baixar a temperatura do ar-condicionado é machismo ou, até mesmo, ato de violência contra mulheres.
A menos, claro, que seja uma mulher de direita. A menos, claro, que seja uma mulher judia dentro de um calabouço do Hamas. Aí vale ligar o ar, desligar o ar, estuprar, que se trata apenas de “resistência”. E é aqui que temos a revelação do espírito que fundamenta essas pautas de diversidade da esquerda: o objetivo do comunismo nunca é realmente o de ajudar a nenhuma das categorias protegidas; o objetivo é sempre a conquista e a manutenção do poder.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos