Narcolanchas: inovação do crime acelera tráfico internacional de drogas

Crime organizado utiliza modelos diferentes de embarcações como "espinha dorsal" da rota marítima do tráfico para Europa

Rafael Saldanha, , em São Paulo

Uma investigação da Polícia Federal revelou uma nova arma do crime organizado para o tráfico internacional de drogas por rotas marítimas, principalmente para a Europa: as narcolanchas.

Nessa quinta-feira (11), a superintendência da PF na Bahia realizou uma operação contra um esquema de tráfico de cocaína da Máfia dos Balcãs. O fluxo começava com a obtenção da droga em países latinos como Bolívia, Peru e Colômbia, passando pelo Brasil, com parada na Àfrica Ocidental para então chegar aos países europeus.

A complexa rota do tráfico transoceânico culmina em destinos importantes na Sérvia, Croácia e Bósnia. Os portos brasileiros de Santos e de Salvador servem como intermediários cruciais para a viagem pelo Atlântico, até a chegada em Cabo Verde, por exemplo, onde ocorre o reabastecimento e transbordo para à Europa.

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No transporte da droga, inovações são cada vez mais utilizadas para dificultar o rastreamento do fluxo criminoso pelas autoridades. As narcolanchas, supervelozes, semi-rígidas ou infláveis, são usadas para transporte rápido em rotas curtas ou para abastecer embarcações maiores em alto-mar. 

Elas são projetadas para atingir velocidades acima de navios de patrulha convencionais, representando maior desafio tático para forças de segurança marítima no Oceano Atlântico. Com os veículos, o crime organizado explora os seguintes pontos:

  • Maior dificuldade de interceptação em tempo real;
  • Design compacto e semi-rígido reduz a visibilidade em radar e inspeção visual
  • Transporte de carga entre embarcações maiores em alto-mar, fora do alcance das autoridades

A investigação aponta que modelos de embarcações também são utilizados como "espinha dorsal" da rota marítima do tráfico. Veleiros são usados em longas travessias e "narcossubmarinos" são projetadas para máxima discrição. A Marinha Portuguesa já apreendeu um submergível que transportava mais de 1,7 tonelada de cocaína.

A apreensão do veleiro "Oceania Dos" com 2,8 toneladas de cocaína em 2023, interceptado a 600 milhas náuticas de Cabo Verde, originou a investigação que culminou na operação "Balcãs", dessa quinta.

Adaptações do crime

O Cartel dos Balcãs é um dos principais compradores de cocaína exportada do Brasil, com uma crescente demanda pela droga cada vez mais pura e lucros que alimentam outras atividades criminosas como lavagem de dinheiro e tráfico de armas.

Mesmo com o aumento da fiscalização pela Polícia Federal e Marinha de diversos países, o crime organizado têm alterado rotas, métodos e dinâmicas. Um exemplo são os itinerários constantemente alterados para evitar padrões detectáveis pelas agências de inteligência. 

Além das narcolanchas, a tecnologia subaquática com Narcossubmarinos e embarcações semissubmersíveis tornam as interceptações cada vez mais complexas.

As múltiplas camadas de intermediários, passando por exemplo por Brasil e África Ocidental, dificultam também a identificação dos líderes das organizações criminosas

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/narcolanchas-inovacao-do-crime-acelera-trafico-internacional-de-drogas/