Enquanto o Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne para definir os rumos da taxa Selic, o mercado vive um momento de incerteza à medida que discute sinalizações do governo sobre os juros praticados no país.
Claudio Frischtak, ex-consultor do Banco Mundial e presidente da Inter.B Consultoria, defende que “com inflação não se brinca em serviço”, de modo que “não há soluções mágicas” para resolver os juros altos do país.
“É uma situação que devemos prestar muita atenção e fazer o dever de casa. Se o dever de casa não for feito, não há ‘bala de prata'”, ressaltou em entrevista ao CNN Money nesta terça-feira (3).
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Publicado em 2026-11-03 18:01:07Frischtak reforçou a visão de que a formação atual do Banco Central é de um corpo técnico e responsável. Nesse momento, o presidente da Inter.B define que o dever de casa a ser seguido é o de manter a taxa de juros em 13,75% ao ano.
“A taxa básica, com toda probabilidade, deverá ser e eu acho que será mantida. Temos um Banco Central, de modo geral, muito responsável. Mandato de manter a inflação sob controle”, endossou.
Ele reconhece que o patamar é elevado – sobretudo ao descontar a inflação e considerar o nível dos juros reais -, mas argumenta que o cenário “não é culpa ou responsabilidade do Banco Central”.
“Temos outras fragilidades”, indicou o economista, destacando a incerteza do mercado e o cenário fiscal. Para o ex-Banco Mundial, não é aceitável que um país emergente que paga juros elevados para rolar sua dívida tenha um comprometimento das contas públicas tão elevado.
Nesse sentido, defendeu que o governo se posicione claramente e de maneira crível sobre os caminhos que serão adotados para melhorar a qualidade das contas públicas.
Abrir espaço fiscal para investimentos e como lidar com o desperdício gerado pelas emendas parlamentares são algumas das pendências sobre as quais Frischtak cobra respostas.
Ainda assim, ressaltou que não é necessário um choque para resolver o problema em seis meses, mas sim que seja apresentado um plano de voo que dê credibilidade ao ajuste no médio/longo prazo. Além de convencer os agentes econômicos de que está agindo, o governo deve mostrar um projeto que seja monitorável.
Além de um programa crível, Frischtak pontuou a necessidade de que seja indicado um nome de credibilidade ao Ministério da Fazenda.
Ele avalia que há profissionais bons no Brasil, destacando o legado do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), como secretário de Estado da Fazenda e presidente do Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal).