As mudanças climáticas se tornaram a principal preocupação do agronegócio brasileiro em 2026. É o que aponta a nova edição da pesquisa “Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro”, da EY, que ouviu lideranças do setor e identificou uma combinação de fatores capazes de impactar diretamente a competitividade das empresas, desde eventos climáticos extremos até escassez de profissionais qualificados e instabilidade geopolítica.
O levantamento mostra que o setor vive um momento de transformação. Além de medir o impacto dos riscos, a edição deste ano avaliou o nível de preparação das empresas para enfrentá-los. O resultado indica que muitos dos temas considerados mais relevantes ainda encontram organizações pouco preparadas para responder aos desafios.
Mudanças climáticas ocupam o topo da agenda do agro
Secas prolongadas, enchentes, geadas e outros eventos extremos passaram a representar uma ameaça direta à produção agrícola, à logística e ao acesso ao crédito.
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Publicado em 2026-06-08 10:58:48Segundo a pesquisa, 79% dos executivos classificam os riscos climáticos como altos ou muito altos. O estudo também aponta que as empresas ainda apresentam baixo nível de prontidão para lidar com os impactos das mudanças climáticas, evidenciando uma lacuna entre a percepção do problema e a implementação de estratégias efetivas de adaptação.
Além dos impactos produtivos, cresce a pressão de investidores, financiadores e compradores internacionais por práticas sustentáveis, rastreabilidade e redução de emissões.
Falta de mão de obra qualificada avança para a segunda posição
A atração, o desenvolvimento e a retenção de talentos aparecem como o segundo maior desafio para o agronegócio brasileiro.
A rápida digitalização das operações elevou a demanda por profissionais capazes de operar drones, sistemas de automação, inteligência artificial, sensores e ferramentas de agricultura de precisão. No entanto, a formação técnica não acompanha a velocidade da transformação tecnológica.
De acordo com a pesquisa, o país enfrenta um déficit estimado de cerca de 180 mil profissionais qualificados para atender às novas demandas do setor.
Para especialistas, a escassez de talentos pode se tornar um dos principais limitadores da produtividade e da inovação no campo nos próximos anos.
Geopolítica amplia incertezas para exportações e insumos
A geopolítica e o comércio internacional ocupam a terceira posição no ranking.
O Brasil consolidou sua posição como potência agrícola global, mas essa relevância também aumentou sua exposição a conflitos internacionais, disputas comerciais, barreiras sanitárias e mudanças regulatórias em mercados compradores.
A dependência de fertilizantes importados e a concentração das exportações em poucos destinos ampliam a vulnerabilidade do setor diante de choques externos.
Em um cenário marcado por guerras, sanções econômicas e disputas entre grandes potências, empresas do agro são pressionadas a diversificar mercados, fornecedores e estratégias de mitigação de riscos.
Reforma tributária e regulações entram no radar das empresas
Questões relacionadas a políticas públicas, tributação e regulação aparecem na quarta posição do levantamento.
A reforma tributária prevista para os próximos anos gera expectativas de simplificação, mas também incertezas sobre impactos em custos, créditos tributários e competitividade.
Ao mesmo tempo, exigências ambientais e critérios de rastreabilidade impostos por países importadores ganham importância crescente para o acesso a mercados internacionais.
Tecnologia segue como diferencial competitivo
A transformação digital completa o grupo dos cinco temas mais relevantes para 2026.
O avanço de tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas, biotecnologia, blockchain e agricultura de precisão já produz ganhos de eficiência e produtividade em diversas cadeias produtivas.
No entanto, desafios relacionados à conectividade rural, infraestrutura e qualificação profissional ainda limitam uma adoção mais ampla dessas ferramentas.
Para a EY, empresas que conseguirem integrar tecnologia às decisões estratégicas terão vantagem competitiva significativa em um ambiente de margens mais pressionadas.
Agro entra em nova fase de gestão de riscos
Além dos cinco principais temas, a pesquisa destaca preocupações relacionadas à volatilidade das commodities, gestão financeira, logística, compliance, produtividade e acesso a capital.
O levantamento indica que o agronegócio brasileiro vive uma mudança estrutural. Questões que antes eram tratadas de forma isolada passam a exigir uma abordagem integrada, envolvendo sustentabilidade, inovação, governança e planejamento de longo prazo.
Mais do que aumentar a produção, o desafio para os próximos anos será construir resiliência diante de um cenário marcado por mudanças climáticas, transformação tecnológica e reconfiguração das cadeias globais de comércio.