Milhares protestam na Albânia e exigem renúncia do primeiro-ministro
Atos liderados por estudantes se espalham pelo país em meio à revolta contra corrupção, problemas na educação e projeto de resort ligado a Jared Kushner
Milhares de jovens albaneses marcharam nesta sexta-feira (16) pelas ruas de Tirana, capital da Albânia, no quarto dia de uma onda de protestos liderada por estudantes que exige a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama. A mobilização tem se tornado cada vez mais violenta, com manifestantes quebrando janelas e semáforos.
Na quinta-feira (15), os atos se transformaram em tumultos na capital, com depredação de estabelecimentos, invasão de um banco e confrontos com a polícia. As manifestações ocorrem após meses de protestos predominantemente pacíficos que, segundo os estudantes, foram ignorados pelo governo.
“Estão nos levando ao limite”, afirmou Enea, de 19 anos, que não revelou o sobrenome por medo de ser preso. Sua mensagem a Rama foi: “Renuncie o mais rápido possível, antes que tudo pegue fogo”.
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Publicado em 2026-10-15 16:50:05Os estudantes acusam autoridades de corrupção e negligência com a educação. Eles também protestam contra a venda de áreas preservadas do litoral albanês para a construção de um resort de luxo apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Rama, que conquistou um quarto mandato no ano passado prometendo levar a Albânia à União Europeia (UE), pretende avançar com a adesão do país ao bloco até 2028. Em publicação no Facebook, o primeiro-ministro afirmou: “Não nos curvaremos à violência”.
Protestos se espalham pelo país
Em frente ao Ministério da Educação, estudantes, muitos deles usando máscaras, ficaram diante de fileiras de policiais antidistúrbios. Pequenos comerciantes fecharam as portas e colocaram avisos nas fachadas pedindo que os manifestantes não danificassem seus estabelecimentos. Algumas mensagens diziam: “Estamos com vocês. Não destruam nossos negócios”.
Na cidade costeira de Lezha, houve confrontos entre policiais e manifestantes que atiravam pedras. Protestos também foram registrados em Elbasan, Shkodra e Korça, onde manifestantes quebraram janelas e incendiaram lixeiras, segundo a imprensa local.
“Protestamos pacificamente por 140 dias, e ninguém nos ouviu. Esta é nossa única chance de sermos ouvidos e conquistarmos os direitos que merecemos”, afirmou Klea, de 19 anos.
A mobilização começou em reação aos planos de construção do resort, que enfrenta questionamentos judiciais. Moradores disseram à Reuters, em julho, que suas terras haviam sido vendidas indevidamente para o empreendimento. Posteriormente, a agência noticiou que o homem responsável pela venda era procurado por promotores sob acusação de tráfico de drogas. O advogado dele negou as acusações.
A Reuters não encontrou evidências de irregularidades cometidas por Kushner, que não está diretamente envolvido na disputa dos moradores.
Corrupção e adesão à União Europeia
Para o analista político Afrim Krasniqi, as gerações mais jovens não veem perspectivas de futuro na Albânia. “Elas veem que todos os recursos do país — políticos, econômicos, tudo — estão nas mãos dos oligarcas”, afirmou à Reuters.
Escândalos de corrupção prejudicaram a imagem do país ao longo dos anos. Analistas também apontam a Albânia como um centro de atuação de grupos criminosos que buscam lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e armas, o que dificulta o processo de adesão à UE.
Ao lado de Montenegro, a Albânia está entre os países dos Bálcãs mais avançados nas negociações para ingressar no bloco europeu.
Os protestos fazem parte de uma onda de mobilizações estudantis na Europa. Na França, estudantes do ensino médio promovem há semanas manifestações e bloqueios de escolas para exigir mais professores e melhores instalações, alegando que a deterioração dos prédios e a superlotação das salas prejudicam o ensino.