O Departamento de Justiça dos Estados Unidos enviou fiscais para 126 condados e cidades em todos os 50 estados norte-americanos durante as eleições de meio de mandato, com foco especial em distritos majoritariamente democratas.

A medida gerou forte preocupação entre os opositores, que temem uma possível interferência no processo eleitoral.

Segundo a correspondente da CNN nos EUA Mariana Janjácomo, que acompanhou a situação de Washington, o envio de fiscais para todos os estados americanos não é uma prática comum.

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“Só para a gente ter uma ideia, nas eleições de meio de mandato de 2022, foram menos de 400 fiscais para 24 estados. Agora a gente está falando de fiscais em todos os 50 estados norte-americanos e principalmente em cidades democratas”, destacou a jornalista ao Bastidores CNN.

Justificativa oficial e temores da oposição

A Casa Branca afirma que os monitores estarão nos locais de votação apenas para observar o andamento do processo eleitoral e impedir violações das leis eleitorais, como intimidação ou discriminação de eleitores.

O Departamento de Justiça também justificou o envio alegando que alguns dos locais selecionados não dispõem de dados suficientes sobre eleições anteriores e, por isso, necessitariam da presença dos fiscais.

Os democratas, no entanto, interpretam a medida de forma diferente.

Para a oposição, os fiscais podem estar sendo utilizados como parte de uma estratégia para contestar os resultados das eleições, especialmente diante de pesquisas que apontam um cenário desfavorável para os republicanos.

“A oposição acredita que esses fiscais estejam nos lugares para interferir no processo de votação ou para conseguir algum tipo de informação para tentar entrar com processos depois”, explicou Mariana Janjácomo.

Ações anteriores reforçam preocupações

O clima de desconfiança é alimentado também por episódios recentes.

Na mesma semana, o presidente americano, Donald Trump, levou à Suprema Corte um pedido de anulação de 20 mil votos na Califórnia, alegando que os eleitores não seriam cidadãos norte-americanos — sem, contudo, apresentar evidências.

O pedido foi negado pela própria Suprema Corte, de maioria conservadora e com juízes indicados pelo próprio Trump.

Além disso, em outubro, o Departamento de Justiça executou um mandado de busca na residência da deputada Ilhan Omar, parlamentar democrata e alvo frequente de críticas de Donald Trump.

As razões exatas para a ação não foram esclarecidas.

O episódio chamou atenção porque o Departamento de Justiça costuma evitar investigações envolvendo candidatos durante períodos eleitorais, justamente para não interferir no processo.

Diante desse contexto, os democratas intensificaram os alertas, enquanto a Casa Branca nega qualquer tentativa de interferência ou de preparação para contestar resultados em caso de derrota republicana.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/midterms-fiscais-de-trump-geram-preocupacao-em-democratas/