Meteorologista explica formação de ciclone-bomba no Brasil

Francisco de Assis Diniz aponta as causas do fenômeno e alerta para novos eventos no Sul do Brasil

O avanço de uma frente fria associada a um ciclone-bomba manteve o Brasil em alerta máximo.

Em entrevista ao Agora CNN neste sábado (8), o meteorologista Francisco de Assis Diniz explicou as causas do fenômeno, seus impactos e os riscos de novos eventos climáticos semelhantes para a região Sul do país.

Como o fenômeno se formou

Segundo Francisco de Assis Diniz, ciclones extratropicais são comuns no Rio Grande do Sul e ocorrem várias vezes ao longo do ano. No entanto, o episódio recente se destacou pela intensidade incomum.

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"Esse foi realmente de maior intensidade", afirmou o meteorologista. A força do fenômeno é medida pela pressão atmosférica em hectopascal: quando o centro de baixa pressão atinge 1.000 hectopascal ou menos, o ciclone já é considerado forte. Neste caso, a pressão chegou a aproximadamente 998 hectopascal.

Diniz explicou que o ciclone foi causado pelo encontro de duas massas de ar: uma quente, que predominava na região, e outra fria, que avançou sobre ela. "O encontro dessas duas massas de ar é que causa o abaixamento de pressão e o movimento rotacional dos ventos fortes", detalhou.

O fenômeno provocou ventos intensos e quedas bruscas de temperatura no Rio Grande do Sul, com condições propícias à formação de geada no fim de semana e na segunda-feira seguinte.

Comparação com eventos anteriores

O meteorologista traçou um paralelo com o ciclone extratropical de julho de 2023, ocorrido durante outro fenômeno climático, quando ventos entre 100 e 115 km/h foram registrados no Rio Grande do Sul.

Para Diniz, o estado tem sofrido cada vez mais com variações bruscas das condições climáticas em curtos períodos de tempo. "O Rio Grande do Sul vem sofrendo muito com essas condições", ressaltou.

Risco de novos ciclones

Diniz alertou que novos ciclones extratropicais são esperados, especialmente até o início da primavera e durante a estação. A região entre Argentina, Rio Grande do Sul e Uruguai é reconhecida meteorologicamente como uma área ciclogenética — ou seja, uma zona propícia à formação desse tipo de fenômeno.

O meteorologista indicou que, por volta do próximo dia 12 de agosto, estava prevista a ocorrência de outro ciclone extratropical, com ventos que poderiam atingir até 80 km/h em algumas áreas do Rio Grande do Sul, embora sem a mesma intensidade do evento anterior.

Ciclone se afasta do continente

Questionado sobre os riscos do ciclone já afastado da costa, Diniz foi categórico ao afirmar que os efeitos sobre o litoral haviam cessado. Até o dia anterior à entrevista, ventos de cerca de 60 km/h ainda eram registrados na costa do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e chegavam próximo ao litoral de São Paulo.

"Agora já não causa mais ventos fortes. A tendência é se afastar mais ainda do continente, evitando os efeitos de ventos fortes na costa", concluiu.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/meteorologista-explica-formacao-de-ciclone-bomba-no-brasil/