Homem morre após picada de cobra e irmã denuncia hospital Dois médicos são afastados após morte de paciente picado por cobra em Piracanjuba, no sul do estado. A Secretaria Municipal de Saúde de Piracanjuba disse em nota que toda conduta médica é de responsabilidade dos profissionais que realizaram o atendimento de forma efetiva (veja a nota na íntegra no final do texto). De acordo com a família, José Carlos Bernardes de Campos, de 56 anos, foi picado por uma cobra cascavel e a família alega que ele não recebeu o soro antiofídico. Os nomes dos profissionais não foram divulgados pela Secretaria de Saúde da cidade, por isso, até a última atualização desta matéria, a reportagem não conseguiu localizar a defesa dos médicos. ? Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp A Secretaria Municipal de Saúde de Piracanjuba afirmou que aplicou suspensão imediata dos profissionais envolvidos no atendimento de José Carlos, que aconteceu na tarde de quinta-feira (21) no Hospital Municipal Tuany Garcia. De acordo com a nota, com base no ordenamento jurídico-sanitário vigente, toda e qualquer conduta médica, seja no primeiro quanto no segundo atendimento prestados ao paciente, "é de inteira, exclusiva e indelegável responsabilidade dos profissionais médicos que efetivamente realizaram o atendimento". Entre os pontos, a nota cita os fundamentos normativos que justificam a afirmação: Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018): em especial os arts. 1º e 4º, que vedam a delegação da responsabilidade técnica e consagram a autonomia do ato médico; Lei nº 12.842/2013 (Lei do Ato Médico): que estabelece o exercício privativo da Medicina e a responsabilidade pessoal do profissional pela prescrição, diagnóstico e conduta clínica; Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos do Ministério da Saúde: cuja aplicação ao caso concreto é prerrogativa e dever do médico assistente. A nota, que foi assinada pela secretária municipal de saúde, Selma Justus, lamentou a morte do paciente José Carlos e prestou solidariedade à família, amigos e à comunidade rural do paciente. A secretaria reconheceu ainda a dor irreparável da perda e o legítimo anseio por respostas e disse que o Poder Público Municipal vai responder à questão com seriedade e isenção. LEIA TAMBÉM: Homem morre após ser picado por cascavel e passar mal Cobra píton de mais de 3 metros filmada ‘passeando’ por rua tinha sido dada de presente ao criador, diz polícia Jiboia é encontrada dentro de depósito e surpreende morador pelo tamanho; vídeo Possível negligência Em entrevista para a TV Anhanguera, Neide Fátima de Campos, irmã do paciente, disse que ligou para o esposo, que estava no hospital acompanhando o José Carlos, mas que os médicos disseram que não havia necessidade do procedimento. Neide relatou que o irmão foi para casa e depois passou mal, precisando voltar depressa para o hospital, e de novo teve o soro negado. "Eu falei pede ao médico para aplicar o soro antiofídico. Eles falaram que iam aplicar, mas não aplicaram. Eles falaram que não havia necessidade, não precisava. Ele passou mal, falando que estava com a garganta infeccionando, apertando, fechando. Meu irmão correu de novo para o hospital e eles não quiseram de novo colocar esse soro. Na certidão de óbito, está falando causa da morte envenenamento. Foi erro, foi negligência mesmo dos médicos", contou Neide. José Carlos Bernardes de Campo morreu após ser picado por uma cobra em Piracanjuba. Família afirma que trabalhador rural não recebeu soro antiofídico e denuncia negligência no atendimento Reprodução/TV Anhanguera Nota Secretaria de Saúde de Piracanjuba "A Secretaria Municipal de Saúde de Piracanjuba, no exercício de seu dever de transparência ativa e em respeito à população piracanjubense, à família enlutada e aos princípios constitucionais da Administração Pública, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos quanto ao caso clínico do paciente Sr. José Carlos Bernardes de Campos, 56 anos, ocorrido no Hospital Municipal Tuany Garcia, vítima de acidente ofídico em zona rural deste município. I — DA SOLIDARIEDADE À FAMÍLIA Inicialmente, esta Secretaria manifesta seu mais profundo pesar e solidariedade à família, amigos e à comunidade rural à qual pertencia o Sr. José Carlos Bernardes de Campos. Reconhece-se a dor irreparável da perda e o legítimo anseio por respostas, ao qual o Poder Público Municipal responderá com seriedade, isenção e tempestividade. II — DA RESPONSABILIDADE TÉCNICO-PROFISSIONAL DA CONDUTA MÉDICA A Secretaria Municipal de Saúde esclarece, com base no ordenamento jurídico-sanitário vigente, que toda e qualquer conduta médica — tanto no primeiro quanto no segundo atendimento prestados ao paciente — é de inteira, exclusiva e indelegável responsabilidade dos profissionais médicos que efetivamente realizaram o atendimento. Tal entendimento decorre, entre outros, dos seguintes fundamentos normativos: Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018): em especial os arts. 1º e 4º, que vedam a delegação da responsabilidade técnica e consagram a autonomia do ato médico; Lei nº 12.842/2013 (Lei do Ato Médico): que estabelece o exercício privativo da Medicina e a responsabilidade pessoal do profissional pela prescrição, diagnóstico e conduta clínica; Lei nº 8.080/1990 (Lei Orgânica do SUS): art. 15, V, que assegura à gestão municipal a organização dos serviços, sem ingerência sobre a autonomia técnica do profissional assistente; Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos do Ministério da Saúde: cuja aplicação ao caso concreto é prerrogativa e dever do médico assistente. Em síntese: à gestão pública compete prover a estrutura, os insumos, os medicamentos e as condições materiais para o atendimento; ao médico assistente compete, com autonomia e responsabilidade pessoal, decidir sobre a conduta clínica diante do caso concreto. São esferas de responsabilidade distintas e juridicamente inconfundíveis. III — DAS MEDIDAS ADMINISTRATIVAS IMEDIATAS Apesar de a responsabilidade técnica recair sobre os profissionais assistentes, e em estrita observância ao princípio da precaução e ao dever de zelo da Administração Pública, esta Secretaria Municipal de Saúde já adotou as seguintes providências: Suspensão imediata dos profissionais envolvidos: os dois médicos que prestaram atendimento ao paciente foram preventivamente afastados de suas funções no Hospital Municipal Tuany Garcia, em caráter cautelar. Instauração de Procedimento Administrativo de Apuração de Responsabilidade: abertura formal de procedimento para apurar os fatos, condutas e aderência aos protocolos técnicos do Ministério da Saúde e da SES-GO. Comunicação aos órgãos de classe e de controle: serão oficiados o CREMEGO, o Ministério Público (MP-GO) e a Vigilância Sanitária Estadual. Acolhimento e suporte à família: a Secretaria coloca-se à disposição para esclarecimentos, acolhimento psicossocial e fornecimento de documentação clínica. IV — DA DISPONIBILIDADE DO SORO ANTIOFÍDICO E DEMAIS INSUMOS A Secretaria Municipal de Saúde informa categoricamente que havia e há plena disponibilidade, no Hospital Municipal Tuany Garcia, de todos os medicamentos e imunobiológicos necessários ao tratamento de acidentes ofídicos — incluindo o soro antiofídico nas modalidades antibotrópico, anticrotálico, antielapídico e antibotrópico-crotálico. O abastecimento é regular e em nenhum momento houve desabastecimento ou indisponibilidade do insumo na unidade. Portanto, a eventual não aplicação do soro não decorreu de falha de suprimento pela gestão municipal, mas configura decisão clínica do profissional assistente, cuja motivação será objeto de apuração. V — DO COMPROMISSO INSTITUCIONAL Esta Secretaria reafirma seu compromisso com a vida e com a qualidade da assistência prestada. Reitera que conduzirá o procedimento administrativo com absoluta imparcialidade e rigor técnico. Piracanjuba — GO, 23 de maio de 2026. SELMA JUSTUS, Secretária Municipal de Saúde Prefeitura Municipal de Piracanjuba — GO" Hospital diz que acompanhou caso junto ao CIATOX Em nota, o Hospital Municipal Thuany Garcia Ribeiro afirmou que prestou “profundo pesar” pelo falecimento de José Carlos Bernardes de Campo e informou que o paciente recebeu atendimento conforme os protocolos estabelecidos para esse tipo de ocorrência. Segundo a unidade, desde o primeiro atendimento houve contato com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), órgão de referência nesses casos. O hospital informou ainda que José Carlos permaneceu em observação médica e, após retornar à unidade com evolução do quadro clínico, recebeu novo atendimento e todos os procedimentos considerados cabíveis pela equipe de saúde. A direção afirmou também que o caso está sendo acompanhado administrativamente e que medidas estão sendo adotadas. Em respeito ao sigilo médico e à família, o hospital disse que informações detalhadas do prontuário não podem ser divulgadas publicamente. ? Veja outras notícias da região no g1 Goiás. últimas notícias de Goiás
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