Cláudio Castro acumula, em 2026, uma série de reveses na Justiça e novas frentes de investigação. Nesta sexta-feira (14), o ex-governador do Rio de Janeiro foi alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal em uma casa em Petrópolis/RJ, que é investigada por ser sede de uma série de negociações fraudulentas.
Esta foi a terceira operação da PF contra Cláudio Castro em menos de três meses, todas relacionadas a suspeitas envolvendo a refinaria Refit e o Banco Master. Durante o Bastidores CNN desta sexta, a âncora Tainá Falcão lembrou quais operações foram essas.
No dia 15 de maio, Castro foi alvo de uma operação que investiga suspeitas de que o governo do Rio de Janeiro, sob seu comando, teria direcionado “todos os esforços da sua máquina pública”, conforme consta na decisão da época, em favor do conglomerado de Ricardo Magro, dono da Refit.
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Publicado em 2026-08-14 14:06:31“Magro que é conhecido como o maior sonegador de impostos do país, segundo a Receita Federal”, ressaltou Tainá.
Menos de duas semanas depois, Castro voltou a ser alvo de busca e apreensão no âmbito de uma investigação que apura fraudes financeiras no Banco Master, de Daniel Vorcaro, com relação aos institutos de previdência do Rio de Janeiro.
A ação desta sexta-feira apura a concessão irregular de licenças ambientais para a Refit, além de lavagem de dinheiro ligada ao suposto esquema criminoso.
Ao todo, a operação cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços no Rio de Janeiro e na região serrana. Três carros de luxo, avaliados em mais de R$ 1,7 milhão, chegaram ao local durante a operação.
Entre os alvos estão o ex-deputado estadual Bernardo Rossi, o advogado Antônio Carlos Santos, o ex-secretário de Estado de Transformação Digital José Mauro Júnior, além dos empresários Luiz Fernando Gomes, Maurício Leite e Ana Carolina Miranda.
Além das operações da PF, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) condenou Castro por abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022. Em junho, a Corte Eleitoral rejeitou os recursos apresentados contra a mesma decisão, consolidando a inelegibilidade do ex-governador.
Defesa nega envolvimento
O âncora Gustavo Uribe relatou que a defesa de Castro, representada pelo advogado Carlo Lucchione, afirmou que o ex-governador desconhece ter sido alvo da operação.
“A Polícia Federal fala que, pessoalmente, ele [Cláudio Castro] não é [alvo], mas a casa onde ele atuava é“, esclareceu Uribe.
Segundo a defesa, o imóvel em Petrópolis, onde foi cumprido um dos mandados, era alugado e teve o contrato de locação rescindido há meses, desde que Castro deixou o governo do Estado em março, embora não negue que ele frequentava o local.
A nota da defesa ressaltou que a gestão de Castro foi a única a conseguir que a Refit pagasse dívidas de R$ 1 bilhão com o Estado.
A defesa de Bernardo Rossi, que foi secretário de Ambiente e Sustentabilidade do governo Castro, negou qualquer relação com irregularidades e afirmou que ele sempre pautou suas decisões administrativas pelos critérios técnicos e legais aplicáveis à gestão pública.
A nota também considerou “especialmente grave a utilização de acusações dessa natureza em pleno período eleitoral”.
Impacto político
A analista de Política Clarissa Oliveira avaliou, que os episódios têm potencial de ressurgir ao longo da campanha eleitoral, com impacto político especialmente para a base de Flávio Bolsonaro (PL).
“A página foi virada do ponto de vista da candidatura de Cláudio Castro, mas politicamente o problema ainda persiste“, destacou Clarissa. No final de maio, Castro anunciou a desistência dele à disputa por uma vaga no Senado.
Segundo a analista, relatos sobre jantares caríssimos e outros benefícios associados ao caso marcam muito o ideário popular, ainda mais em tempos de eleição. Esses relatos, na avaliação de Clarissa, podem gerar efeitos tanto nas eleições do Rio de Janeiro quanto em uma campanha de âmbito nacional.