Há uma definição que tem se repetido nos bastidores da investigação envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master e que ajuda a explicar o estágio atual do caso: não se trata de uma organização com contornos de máfia, mas de uma “máfia fantasiada de banco”.

A comparação com uma máfia não é nova, mas ganha força à medida que a análise do material apreendido avança. A impressão predominante entre os investigadores é a de que o esquema funcionava com um grau de profissionalização, quase como uma grande empresa. Havia uma estrutura organizada, com funções claramente definidas, divisão de responsabilidades e uma lógica operacional que lembra a de uma corporação.

LEIA MAIS

Os celulares apreendidos se transformaram em uma “mapa do crime” dessa engrenagem. O conteúdo encontrado teria permitido aos investigadores reconstruir diferentes frentes de atuação e até identificar planos que nem chegaram a ser concluídos.

Esse avanço ajuda a explicar a rejeição, por duas vezes, da proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro.

A avaliação de investigadores ouvidos pelo blog é que, nas duas ocasiões, o entendimento era de que as informações oferecidas não acrescentavam elementos relevantes ao que já havia sido descoberto. Mais do que isso: os investigadores consideraram que o empresário não assumia responsabilidade pelos fatos investigados nem reconhecia a existência de crimes.

A comparação feita por integrantes da apuração remete a outras grandes investigações do país, como a Lava Jato. O argumento é que o material já reunido pelos órgãos de investigação seria suficientemente detalhado para permitir o avanço das apurações sem depender da colaboração do investigado.

Por isso, a delação premiada, ao menos neste momento, parece ser improvável. Embora a defesa de Vorcaro continue buscando alternativas para reabrir essa possibilidade, a avaliação predominante é que esse caminho está praticamente fechado.



Fonte: https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/07/10/master-funcionava-como-mafia-fantasiada-de-banco-segundo-investigadores.ghtml