Manifestantes ocupam praças em Portugal e prometem continuar protestos
Milhares de pessoas se reuniram nos principais locais de Lisboa para continuar os atos contra o agravamento da crise habitacional no país; pelo menos 55 foram presas
Milhares de manifestantes retornaram a duas praças centrais em Lisboa e no Porto nesta terça-feira (20) e prometeram continuar com os protestos contra o agravamento da crise habitacional em Portugal, poucas horas após a polícia ter desmontado acampamentos — compostos por barracas — e efetuado 55 prisões.
Uma assembleia popular em Lisboa decidiu, na noite de terça-feira, retornar à praça do Rossio e montar novamente as barracas nesta quarta-feira.
A cantora Ana Moura juntou-se aos manifestantes no local e fez uma apresentação em apoio ao movimento.
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Publicado em 2026-10-20 20:31:08Segundo os organizadores, mais de mil pessoas se reuniram em cada uma das praças. A polícia não forneceu uma estimativa do número de participantes.
Débora Miranda, de 41 anos, consultora de comunicação, disse à Reuters que participou do protesto na praça do Rossio para representar as gerações que enfrentam dificuldades devido à disparada dos custos.
"Se as pessoas não se sentem em casa, em todos os sentidos da palavra, não conseguem seguir com as suas vidas... já chega", afirmou.
Ativistas ocupavam a praça do Rossio, em Lisboa, desde sábado (17) — onde montaram cerca de 200 barracas — e a praça Dom João I, no Porto, há cerca de 10 dias.
Os acampamentos seguiram o modelo de protestos por habitação ocorridos na vizinha Espanha e coincidiram com um período de descontentamento devido ao aumento do custo de vida em países como França, Bélgica e Itália.
Pouco antes das 6h da manhã, após alertar os manifestantes de que os acampamentos eram ilegais, a polícia realizou operações coordenadas em ambas as cidades. No Porto, os próprios manifestantes desmontaram as suas barracas, enquanto, em Lisboa, os agentes fizeram a desocupação da praça do Rossio.
Carla Valadão, porta-voz do acampamento em Lisboa, descreveu a operação policial como "muito agressiva".
O superintendente da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares, declarou aos jornalistas que a desocupação ocorreu de forma "calma, proporcional e adequada, sem qualquer carga policial".
As 55 pessoas detidas foram posteriormente liberadas, devendo comparecer a uma audiência judicial em Lisboa nesta quarta-feira.
Portugal enfrenta uma das piores crises de acessibilidade à habitação na Europa. Desde 2017, os preços de compra de imóveis mais do que duplicaram, e os valores dos aluguéis para novos contratos também quase dobraram.
A pressão é mais intensa nas grandes cidades, onde também tem surgido oposição ao turismo excessivo e à chegada de um grande número de "nômades digitais". Os manifestantes exigem que o governo de centro-direita retire um projeto de lei que facilita despejos e acaba com os limites aos valores de aluguel em novos contratos — proposta que foi aprovada em primeira leitura parlamentar com a abstenção do partido de extrema-direita Chega.
Jorge Paixão, de 19 anos, estudante de História, classificou a situação como "uma crise social", afirmando que sua geração precisa da "possibilidade de viver com dignidade, constituir família e rejuvenescer Portugal".