Lula começa a desenhar equipe para o próximo governo

Após reeleição, presidente se reúne com líderes do Congresso e articula nomes para ministérios; Rafael Fonteles e Camilo Santana estão cotados

Após a vitória no segundo turno sobre Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Brasília para iniciar as articulações políticas e definir a nova composição da Esplanada dos Ministérios para a gestão que começa em janeiro de 2027. O Palácio da Alvorada tornou-se o centro das movimentações nos primeiros dias após o resultado das urnas.

Nos bastidores de Brasília, já circulam nomes cotados para os principais ministérios, especialmente aqueles que se aproximaram da campanha petista no segundo turno.

Segundo informações apuradas pela CNN Brasil, houve uma mudança de forças no núcleo duro da campanha entre o primeiro e o segundo turno, com destaque para três figuras que são vistas por aliados de Lula como fundamentais para a virada na eleição.

Recomendamos para você

Nomes cotados para os ministérios

Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí, é apontado como favorito para assumir o Ministério da Fazenda. Aliados de Lula o descrevem como um nome ao mesmo tempo político e técnico, tendo ocupado a Secretaria de Fazenda do governo do Piauí.

Fonteles já teria sinalizado confiança no vice-governador eleito, Washington Bandeira (PT), também filiado ao PT, o que abriria caminho para sua ida ao governo federal. A chapa dos dois foi a mais votada no primeiro turno das eleições de 2026 no Brasil.

Camilo Santana (PT-CE), senador e ex-ministro da Educação, aparece como cotado para a Casa Civil — cargo que anteriormente era associado a Fernando Haddad (PT), mas cuja força política agora pende para Santana.

Já André Janones (Rede-MG), deputado reeleito por Minas Gerais, que comandou o canal de WhatsApp "Exército do Lula", com mais de 10 milhões de inscritos, é visto por aliados do presidente como alguém com "carta branca" para assumir a Secretaria de Comunicação Social ou a Secretaria Geral, ambas no Palácio do Planalto.

Outros nomes em disputa

João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife e candidato derrotado ao governo de Pernambuco, é cogitado para o Ministério de Ciência e Tecnologia. O cargo teria um valor simbólico, já que o pai dele, Eduardo Campos (PSB), ocupou a mesma pasta durante o primeiro mandato de Lula.

Além disso, aliados do presidente avaliam indicar um nome do Centrão para a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação com o Congresso Nacional.

O nome de Silvio Costa Filho (Republicanos), que ocupou o Ministério de Portos e Aeroportos no terceiro mandato, está sendo ventilado para essa função — especialmente porque o Congresso eleito em 2026 é considerado mais à direita do que o de 2022.

Articulação com o Congresso e agenda internacional

Na segunda-feira (26) seguinte à eleição, Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com os presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), respectivamente.

Os dois buscam se reeleger nos comandos de suas Casas legislativas e a articulação com o Executivo é considerada estratégica para a pauta do próximo ano.

Além das tratativas políticas internas, Lula também dedicou parte da segunda-feira (26) à agenda internacional, reunindo-se com o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, e o embaixador Audo Faleiro, também assessor da área diplomática, para planejar compromissos externos dos próximos meses.

O presidente, no entanto, vinha atendendo com cautela os pedidos de telefonemas de líderes internacionais, em razão de uma voz comprometida após a intensa agenda de campanha.

Reação do mercado e movimentação da oposição

O dia seguinte à vitória de Lula foi marcado por forte turbulência nos mercados financeiros. A Bolsa de Valores fechou em queda de 13,88%, aos 176 mil pontos, com acionamento do circuit breaker pela B3, que interrompeu as negociações por 30 minutos.

O dólar subiu 8,36%, cotado a R$ 5,40. A instabilidade foi atribuída à desconfiança dos investidores sobre a condução da política fiscal e o perfil da equipe econômica do quarto mandato. Em declaração à CNN Brasil, Edinho Silva, presidente nacional do PT, afirmou que o dia foi de "especulações" e garantiu que Lula tem "compromisso com as contas públicas".

Do lado da oposição, Flávio Bolsonaro declarou que será o líder da oposição ao governo petista. Ele recuou do pedido de anulação do pleito motivado pela extensão do horário de votação, mas anunciou que pedirá a cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder político e econômico.

O PL, partido de Flávio, emitiu nota reconhecendo os resultados, mas cobrou esclarecimentos sobre questionamentos levantados durante o processo eleitoral. Partidos que apoiaram Flávio no segundo turno já sinalizaram reaproximação com Lula na tentativa de manter espaço no governo.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/lula-comeca-a-desenhar-equipe-para-o-proximo-governo/