KPGM: Presença de mulheres nos conselhos chega a 17%
Pesquisa da KPMG aponta maior índice em 13 anos de participação feminina em conselhos de administração no Brasil
A participação de mulheres nos conselhos de administração de empresas abertas brasileiras atingiu 17% em 2026, o maior patamar registrado nos últimos 13 anos. O dado é resultado de uma pesquisa da KPMG que analisou 261 companhias listadas na Bolsa de Valores.
Em 2013, as mulheres ocupavam apenas 6% desses cargos, percentual que avançou para 16% em 2023 e chegou ao atual índice de 17%. Apesar do avanço expressivo em pouco mais de uma década, o número ainda é considerado baixo quando comparado a outros países.
Brasil ainda abaixo da média internacional
Fernanda Allegretti, que participou de entrevista ao CNN Money para comentar os resultados da pesquisa, destacou que o índice brasileiro fica aquém de referências internacionais.
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Publicado em 2026-10-22 21:25:43"Se você pega as grandes empresas da S&P, por exemplo, você tem mais de 34% das empresas com mulheres no conselho de administração", afirmou.
Ela também citou que os países da OCDE registram uma média de 29%. "Com 17% mostra que a gente ainda tem um caminho a percorrer", pontuou Allegretti.
Fatores que impulsionam a mudança
Segundo Allegretti, o avanço da governança corporativa, a regulação e a pressão dos chamados stakeholders são os principais fatores que têm impulsionado a maior presença feminina nesses espaços. Ela ressaltou que a demanda por diversidade vai além do gênero.
"Quando a gente fala de diversidade, não é só de gênero, mas também de formação, de idade", explicou. Ela também mencionou que os próprios funcionários das empresas têm demandado mais diversidade, não apenas nos conselhos, mas na liderança como um todo.
Barreiras culturais ainda persistem
Ao ser questionada sobre os obstáculos que ainda limitam o avanço do percentual, Fernanda Allegretti apontou a cultura corporativa como um dos principais entraves.
"Eu não acho que é uma questão de formar as mulheres, as mulheres já estão formadas, muitas vezes super preparadas e até mais do que os homens, porque elas sabem que elas enfrentam barreiras maiores para chegar lá", afirmou.
Para ela, o desafio está em fazer com que os próprios conselheiros e a liderança das empresas abram espaço para que as mulheres alcancem esses fóruns de decisão.
Governança e gerenciamento de riscos
A pesquisa também revelou que 96% das empresas analisadas consideram seus controles internos adequados. Allegretti ponderou que verificar essa percepção exigiria uma análise individual de cada companhia, e questionou se esse adequação contempla riscos emergentes, como ataques cibernéticos e o uso equivocado de inteligência artificial.
Outro dado destacado aponta que 83% das empresas informam contar com uma área específica para gerenciamento de riscos, ante 61% em 2010.
"As empresas estão visualizando que os riscos estão aumentando e que elas têm que se preparar para eles", concluiu.