Juro alto durante construção de Plano Safra travou crescimento
Consultoria Cogo Inteligência de Mercado aponta que Selic a dois dígitos limitou fiscal e recursos não dão conta de um agro que demanda capital de giro e tem custos maiores dentro da porteira
Melhora em relação à edição anterior é o que representa o novo Plano Safra 2026/2027, principalmente pela redução à queda de juros. No entanto, paira a avaliação de que o valor de R$ 525,1 bilhões não é factível, tampouco suficiente para as necessidades de financiamento do agronegócio.
A análise é de Carlos Cogo, sócio da Cogo Inteligência de Mercado. Segundo o especialista, o programa não expande de forma significativa o crédito rural, mas reorganiza a política de financiamento diante de restrições fiscais que desenham o cenário do Governo Federal.
"O principal avanço do novo Plano foi a redução das taxas de juros das principais linhas de crédito.
Entretanto, essa redução somente foi possível graças ao aumento de 41% na subvenção do Tesouro
Nacional destinada à equalização das operações da agricultura empresarial, que passou de R$ 3,94
bilhões para R$ 5,56 bilhões", destaca.
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Publicado em 2026-06-30 17:29:00O volume de recursos equalizados caiu 14,8%, passando de R$ 113,8 bilhões para apenas R$ 97 bilhões. Com isso, o governo vai desembolsar cerca de um quinto do valor total do Plano Safra, evidenciando que o "funding" do programa dependerá mais de recursos privados.
Fundos não tradicionais incluídos no programa são o Ecoinvest, com R$ 28 bilhões, e o Moveagro, respondendo por R$ 10 bilhões.
Cogo frisa que o alto custo que tem a equalização com a taxa Selic em 14,25% - e que ao longo da construção do Plano se manteve em dois dígitos, reduzindo significativamente a capacidade do governo de oferecer crédito subsidiado.
"O Plano Safra 2026/2027 foi elaborado em um dos ambientes fiscais mais complexos dos últimos anos", destaca Cogo.
Na análise da consultoria, os principais desafios enfrentados pelo governo são:
- Manutenção da taxa Selic em patamar elevado durante praticamente toda a elaboração do Plano
- Elevado custo da equalização das taxas de juros
- Restrições fiscais impostas pelo novo arcabouço fiscal
- Elevado comprometimento do orçamento público com renegociações de dívidas rurais
- Necessidade de manter o controle da inflação dos alimentos
- Desaceleração dos investimentos privados no setor agropecuário
Embora o governo destaque um novo recorde de recursos, o crescimento efetivo foi "extremamente limitado", afirma Cogo.
O volume de R$ 9 bilhões, isto é, 1,72% mais que no ciclo anterior, não darão para acompanhar inflação acumulada, alto custo dos insumos agrícolas por causa da Guerra no Oriente Médio, maior demanda por capital de giro e crescimento do PIB.