Juro alto durante construção de Plano Safra travou crescimento

Consultoria Cogo Inteligência de Mercado aponta que Selic a dois dígitos limitou fiscal e recursos não dão conta de um agro que demanda capital de giro e tem custos maiores dentro da porteira

Isadora Camargo, , São Paulo

Melhora em relação à edição anterior é o que representa o novo Plano Safra 2026/2027, principalmente pela redução à queda de juros. No entanto, paira a avaliação de que o valor de R$ 525,1 bilhões não é factível, tampouco suficiente para as necessidades de financiamento do agronegócio.

A análise é de Carlos Cogo, sócio da Cogo Inteligência de Mercado. Segundo o especialista, o programa não expande de forma significativa o crédito rural, mas reorganiza a política de financiamento diante de restrições fiscais que desenham o cenário do Governo Federal.

"O principal avanço do novo Plano foi a redução das taxas de juros das principais linhas de crédito.
Entretanto, essa redução somente foi possível graças ao aumento de 41% na subvenção do Tesouro
Nacional destinada à equalização das operações da agricultura empresarial, que passou de R$ 3,94
bilhões para R$ 5,56 bilhões", destaca.

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O volume de recursos equalizados caiu 14,8%, passando de R$ 113,8 bilhões para apenas R$ 97 bilhões. Com isso, o governo vai desembolsar cerca de um quinto do valor total do Plano Safra, evidenciando que o "funding" do programa dependerá mais de recursos privados.

Fundos não tradicionais incluídos no programa são o Ecoinvest, com R$ 28 bilhões, e o Moveagro, respondendo por R$ 10 bilhões.

Cogo frisa que o alto custo que tem a equalização com a taxa Selic em 14,25% - e que ao longo da construção do Plano se manteve em dois dígitos, reduzindo significativamente a capacidade do governo de oferecer crédito subsidiado.

"O Plano Safra 2026/2027 foi elaborado em um dos ambientes fiscais mais complexos dos últimos anos", destaca Cogo.

Na análise da consultoria, os principais desafios enfrentados pelo governo são:

  • Manutenção da taxa Selic em patamar elevado durante praticamente toda a elaboração do Plano
  • Elevado custo da equalização das taxas de juros
  • Restrições fiscais impostas pelo novo arcabouço fiscal
  • Elevado comprometimento do orçamento público com renegociações de dívidas rurais
  • Necessidade de manter o controle da inflação dos alimentos
  • Desaceleração dos investimentos privados no setor agropecuário

Embora o governo destaque um novo recorde de recursos, o crescimento efetivo foi "extremamente limitado", afirma Cogo.

O volume de R$ 9 bilhões, isto é, 1,72% mais que no ciclo anterior, não darão para acompanhar inflação acumulada, alto custo dos insumos agrícolas por causa da Guerra no Oriente Médio, maior demanda por capital de giro e crescimento do PIB.

 



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/juro-alto-durante-construcao-de-plano-safra-travou-crescimento/