Jaques Wagner iguala eleitoralmente escândalo do Master, diz Eurasia
Para Christopher Garman, da Eurasia Group, ao WW, desdobramentos do caso devem nivelar percepção do eleitor sobre corrupção nos dois campos políticos
A implicação de Jaques Wagner na 9ª fase da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, deve ter um impacto eleitoral que nivela direita e esquerda no tema da corrupção. Essa é a avaliação de Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, ao WW.
Para Garman, no curto prazo, o impacto sobre a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tende a ser menos danoso do que sobre a imagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O especialista pondera, no entanto, que o cenário geral aponta para um "nivelamento por baixo" entre os campos políticos.
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Publicado em 2026-06-19 00:00:43Munição para ambos os lados na campanha eleitoral
Segundo Garman, cada campo político deverá explorar o escândalo a seu favor.
"O campo oposicionista, seja o Flávio Bolsonaro ou outros candidatos, vai pegar todas as denúncias contra o líder do governo e o Jaques Wagner e tentar associar o Banco Master com o governo", afirmou.
Em sentido contrário, "o lado do PT vai usar todas as denúncias que foram colocadas na mesa e os áudios para associar o Banco Master à candidatura do Flávio Bolsonaro".
O resultado desse embate, na avaliação do especialista, é que os ataques mútuos durante a campanha levarão o eleitor a uma conclusão desfavorável para todos os envolvidos.
"A minha aposta é que, no final do dia, quando você tem a campanha e todos os ataques mútuos vão ser feitos com peças publicitárias, o eleitor vai concluir que ambos são corruptos", disse Garman.
Corrupção preocupa, mas não garante vantagem eleitoral
Garman ressaltou que a corrupção continua sendo um tema de grande relevância para o eleitorado brasileiro.
"Quando você faz uma pesquisa nacional, as duas grandes preocupações eleitorais são segurança e corrupção", observou.
Apesar disso, o especialista avalia que o tema não deverá gerar vantagem líquida para nenhum dos lados, justamente porque o eleitor tende a se perder nos detalhes das denúncias em meio a um ciclo investigativo intenso.
Sobre o impacto específico do vazamento de um áudio envolvendo Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, Garman acredita que os efeitos devem se dissipar ao longo do tempo.
"Temos várias manchetes novas em um ciclo investigativo profundo, então o impacto específico do vazamento do áudio também tem que se dissipar ao longo do tempo", concluiu.