O governo da Itália decidiu enviar 500 soldados à cidade de Milão para reforçar a segurança após duas noites consecutivas de confrontos violentos entre manifestantes e a polícia na capital da Lombardia.
O anúncio foi feito pelo vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, nas redes sociais, após os tumultos que se concentraram no centro da cidade no sábado (17) e no domingo (18).
O correspondente da CNN em Roma, Stefano Pozzebon, relatou que ainda não estava claro qual seria a função exata dos soldados enviados, uma vez que a segurança pública normalmente fica a cargo do Ministério do Interior e da Polícia.
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Publicado em 2026-10-20 14:17:08No entanto, ele destacou que a Itália já adota a prática de destacar militares para pontos estratégicos em todo o território nacional para patrulhar ruas e reforçar a segurança desde pelo menos 2008.
Protestos fora do âmbito institucional e com maioria jovem
Segundo especialistas ouvidos pelo correspondente, duas características marcaram os protestos. A primeira é que os atos ocorreram fora do âmbito institucional, sem convocação de sindicatos ou partidos políticos de oposição.
A segunda é que os manifestantes eram extremamente jovens. De acordo com dados divulgados pela polícia italiana, cerca de 270 manifestantes foram levados para interrogatório na noite de domingo. Desses, pelo menos 220 eram menores de idade.
Para entender as origens da violência, o correspondente consultou Matteo Lancini, psicólogo e psicoterapeuta da Universidade de Milão-Bicocca.
“Nós vivemos em uma sociedade que propôs padrões em que agredir os outros, destruir e matar é algo normal, e depois fica chocada quando os jovens fazem isso”, afirmou o especialista.
“Mas não podemos descontextualizar isso da violência que eles absorveram dos adultos nesta sociedade midiática das redes sociais. Repito, isso não justifica nada do ponto de vista da responsabilidade”, completou.
Na tarde de segunda-feira (19), as ruas de Milão estavam tranquilas, mas a tensão permanecia no ar. Os manifestantes já haviam convocado novos atos para os próximos dias, deixando em aberto se o envio do Exército seria suficiente para acalmar definitivamente a situação na cidade.