Irã diz manter negociações e contatos diplomáticos com os EUA
A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, à mídia estatal neste domingo (31)
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou neste domingo (31) que as negociações e as trocas de mensagens com os Estados Unidos seguem em andamento.
A declaração foi dada à mídia estatal iraniana em meio à continuidade dos contatos diplomáticos entre os dois países para tentar avançar em um acordo relacionado às tensões recentes e ao programa nuclear iraniano.
Segundo Araqchi, ainda não é possível fazer uma avaliação definitiva sobre o rumo das tratativas.
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Publicado em 2026-05-31 04:00:28“Não devemos dar importância a especulações e não podemos julgar as negociações até que cheguemos a um resultado claro”, declarou o chanceler.
As declarações foram feitas dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devolver com alterações uma proposta de acordo apresentada ao Irã. De acordo com informações divulgadas pela CNN, a decisão foi tomada após uma reunião com conselheiros realizada na sexta-feira (29), o que prolongou as negociações por pelo menos mais uma semana.
As mudanças exatas solicitadas por Trump não foram detalhadas. Autoridades americanas, porém, afirmaram que o presidente defendeu uma linguagem mais rígida em relação aos compromissos nucleares iranianos e à promessa de reabertura do Estreito de Ormuz. Trump também teria manifestado preocupação com o alcance do eventual alívio financeiro oferecido ao Irã como parte do acordo.
A nova rodada de alterações ocorre pouco mais de uma semana depois de o presidente americano afirmar que o entendimento entre as partes estava “praticamente finalizado” e indicar que o encerramento do conflito estaria próximo. Desde então, integrantes do governo dos Estados Unidos têm sinalizado avanços nas negociações voltadas à manutenção do cessar-fogo, à reabertura de Ormuz e ao aprofundamento das discussões sobre o programa nuclear iraniano.
Apesar da expectativa criada antes da reunião de sexta-feira, quando Trump afirmou que tomaria uma “decisão final” e chegou a divulgar alguns termos do acordo nas redes sociais, o encontro terminou sem uma definição conclusiva.
Entre os pontos de divergência, Trump afirmou que os Estados Unidos confiscariam e destruiriam o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã. Teerã, por sua vez, tem reiterado que não está discutindo detalhes de seu programa nuclear nas negociações em andamento.
O presidente americano também declarou que não houve qualquer discussão sobre transferência de recursos financeiros como parte do eventual acordo. O tema, no entanto, é tratado pelo Irã como um elemento essencial para a concretização de qualquer pacto entre os dois países.
As diferenças de posição entre Washington e Teerã mantêm indefinida a conclusão das negociações, enquanto as discussões sobre a redação final do acordo prosseguem. O pedido de alterações apresentado por Trump já havia sido noticiado anteriormente pelo site Axios e pelo jornal The New York Times.
Também neste domingo (31), o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, enfatizou que nenhum acordo com os Estados Unidos será aprovado sem garantias aos interesses iranianos. A declaração foi divulgada pela agência semioficial Tasnim.
“Os soldados do campo de batalha diplomático não confiam nas palavras e promessas do inimigo”, disse Qalibaf. “O que importa para nós são as conquistas tangíveis que devemos obter, em troca das quais cumpriremos nossos compromissos”, acrescentou.
Segundo a CNN, autoridades americanas informaram na quinta-feira que Washington e Teerã haviam alcançado um entendimento provisório para transformar o cessar-fogo vigente em uma solução mais duradoura. No entanto, as exigências apresentadas por Trump na sexta-feira, envolvendo o Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e o descongelamento de ativos iranianos mantidos no exterior, provocaram críticas por parte do Irã e lançaram dúvidas sobre o avanço das negociações rumo a um acordo definitivo.
Com informações de Elwely Elwelly, da Reuters; edição de David Goodman