Irã ameaça bloquear outra rota marítima estratégica se Israel atacar
Estreito de Bab al-Mandab conecta grandes corredores comerciais entre a Europa, a Ásia e o mundo árabe
O Irã ameaçou bloquear outro corredor marítimo vital no Oriente Médio caso Israel amplie sua ofensiva, afirmou um conselheiro sênior do líder supremo iraniano, segundo a mídia estatal do país neste domingo (7).
Ali Velayati advertiu que o Irã poderia bloquear o estreito de Bab al-Mandab após Israel ameaçar dar uma resposta “poderosa” à onda de mísseis que, segundo o governo israelense, foi lançada por Teerã — os primeiros ataques desse tipo desde o início de abril.
Localizado entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia, o estreito é uma importante rota marítima que conecta grandes corredores comerciais entre a Europa, a Ásia e o mundo árabe.
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Publicado em 2026-06-07 22:34:40“A atual situação de segurança em Bab al-Mandab não deve levar o inimigo a um erro de cálculo”, disse Velayati à emissora iraniana Press TV.
“A escolha é de vocês: parar com essa tolice ou entrar em uma equação equilibrada para disciplinar os dois estreitos.”
Por meio da mobilização de seu aliado regional, os houthis do Iêmen, o Irã poderia orquestrar o fechamento do estreito de Bab al-Mandab. Uma medida desse tipo aumentaria ainda mais a pressão sobre a economia global.
As tensões escalaram neste domingo, quando a guerra completou 100 dias. Israel atacou Beirute pela primeira vez desde o novo cessar-fogo, anunciado pelos Estados Unidos na semana passada. Em resposta, o Irã disparou mísseis, que foram interceptados pelas forças israelenses e ameaçou uma resposta "mais devastadora" se Israel continuar com os bombardeios no Líbano.
Relembre como começou a guerra no Irã
No dia 28 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou um ataque "de grande escala" ao Irã, afirmando que o principal objetivo do país era "defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano".
Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear de Teerão – um ponto de atrito recorrente que também tem dificultado as negociações mais recentes para pôr fim aos combates.
Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã — que resultaram na morte do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — causaram milhares de mortes em todo o país e danos a dezenas de museus, edifícios históricos e sítios culturais, segundo veículos de imprensa e autoridades iranianas.
Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Semanas antes do início da guerra, o governo Trump realizou o maior acúmulo militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, desencadeando alertas sobre a escalada da violência regional caso um conflito eclodisse.
Ao mesmo tempo, enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um possível novo acordo nuclear. Mas essas negociações não foram capazes de evitar uma ação militar, com Trump acusando o Irã na época de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”.
O início da guerra em fevereiro também ocorreu após protestos em massa contra o regime no Irã no mês anterior, alimentados pelo descontentamento econômico em meio ao aumento vertiginoso dos custos.