Integração energética pode transformar energia em divisas para o Brasil
Executivo defende a expansão das linhas de transmissão com países vizinhos para aumentar a segurança energética regional e abrir novos mercados para a energia brasileira
A integração elétrica entre o Brasil e os países vizinhos pode transformar o excesso de geração renovável em uma nova fonte de receitas para o país. A avaliação é do CEO do Grupo Bolt, Gustavo Ayala, que defende a ampliação das interconexões internacionais para permitir a exportação de energia limpa produzida no território brasileiro.
Em entrevista ao Alta Voltagem, programa da CNN, explica que a expansão acelerada da geração solar faz com que, em determinados momentos do dia, haja excesso de oferta de energia, especialmente nas horas de maior incidência solar. Em vez de desperdiçar esse excedente, ele poderia ser comercializado com os países vizinhos, trazendo divisas ao Brasil e contribuindo também para a descarbonização da matriz elétrica sulamericana.
"Quando a energia está mais cara lá fora, conseguimos vender essa energia e trazer essas divisas ao Brasil", afirma o executivo.
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Publicado em 2026-07-07 22:05:51Hoje, o Brasil mantém interligações elétricas com Paraguai, Uruguai, Argentina e Venezuela. Para Ayala, no entanto, a infraestrutura existente está longe do potencial que o país poderia explorar.
Um dos exemplos citados é a Bolívia. Segundo ele, o excedente de geração produzido no Mato Grosso poderia abastecer o país vizinho caso existisse uma linha de transmissão adequada.
"Poderíamos pegar todo o excedente de geração de energia no Mato Grosso e usar para vender para a Bolívia", diz.
O projeto esbarra justamente na ausência dessa infraestrutura. A diretoria colegiada da Aneel decidiu retirar da modelagem final do leilão de transmissão previsto para outubro de 2026 o sublote 4C, que previa justamente uma nova interligação entre Brasil e Bolívia.
De acordo com a área técnica da agência, as contribuições recebidas durante a consulta pública apontaram incertezas relevantes sobre o acordo internacional entre os dois países, a falta de modelagem do sistema elétrico boliviano e a indefinição de cronogramas. Na avaliação da Aneel, essas condições impediam que os investidores dimensionassem adequadamente os riscos regulatórios e financeiros do empreendimento.
O avanço dessas interconexões exigirá coordenação entre os governos da região e investimentos em transmissão, que frequentemente acabam recaindo sobre o Brasil. Ele cita como exemplo o gás produzido em Vaca Muerta, na Argentina, cujo baixo custo poderia beneficiar o mercado brasileiro.
Exemplo disso foi a crise vivida pela Europa, quando a Rússia reduziu o fornecimento de gás como forma de retaliação ao apoio dos países europeus à Ucrânia durante a guerra. A rede de interconexões entre os países permitiu compartilhar excedentes de geração e reduzir a vulnerabilidade a choques de oferta ou interrupções no abastecimento.