(Foto: Pedro Lastra/Unsplash )

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Nunca houve tanto dinheiro, tecnologia e pressão por eficiência no setor público. Segundo o Fórum Econômico Mundial, soluções digitais para governos podem gerar até US$ 9,8 trilhões até 2034. Governos ao redor do mundo já aceleram a modernização de seus sistemas, com a computação em nuvem e a inteligência artificial consolidadas como base dessa transformação. O Brasil, por exemplo, figura entre os mais avançados do mundo em governo digital no índice do Banco Mundial de 2025. Ainda assim, a inovação não avança na mesma velocidade, e o principal obstáculo não é técnico, mas decisório. Inovar com dinheiro institucional exige coragem, mas também responsabilidade.

Essa responsabilidade, no entanto, tem sido frequentemente interpretada como aversão ao risco. Em um ambiente marcado por controle institucional rigoroso, fiscalização constante e alta exposição política, a decisão de inovar tende a ser vista como uma aposta perigosa. Diferentemente do setor privado, onde o erro pode ser absorvido como parte do processo, no setor público ele pode gerar consequências administrativas, jurídicas e reputacionais; o resultado é um comportamento previsível.

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Diante da incerteza, gestores optam por soluções já testadas, fornecedores consolidados e modelos de contratação que priorizam segurança formal em detrimento de impacto real. A inovação passa a ser tratada como exceção, não como ferramenta de gestão. E, nesse contexto, o risco não desaparece – ele apenas muda de forma.

Evitar inovação reduz o risco imediato de erro, mas amplia um risco mais profundo e menos visível: o da ineficiência estrutural. Sistemas desatualizados, processos manuais e baixa integração entre órgãos continuam gerando custos elevados, desperdício de dinheiro e serviços aquém da expectativa da população. Em um cenário de pressão fiscal e demanda crescente por qualidade, não inovar também é uma decisão arriscada.

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Nesse cenário, as govtechs surgem como catalisadoras de inovação, trazendo velocidade, especialização e novas abordagens para problemas antigos. Mas também operam sob as mesmas restrições do setor público quando não há coragem. Sem abertura para experimentação e sem disposição para assumir riscos calculados, mesmo as melhores soluções tendem a ficar restritas a projetos-piloto ou contratos isolados.

O ponto central é que inovar no setor público não significa assumir riscos irresponsáveis, mas sim gerir riscos de forma mais inteligente. Isso envolve testar, ajustar, medir impacto e construir soluções com base em evidências. Trata-se de um passo que exige governança, transparência, critérios bem definidos e, acima de tudo, decisão.

Luiz Costa é gerente de Inovação da Dome Ventures; Lincoln Ferdinand é gerente de Marketing da mesma empresa.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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