Enganam-se os que atribuem a inflação só ao petróleo; estímulos fiscais do governo também pressionam os preços no país. (Foto: Imagem criada utilizando Chatgpt/Gazeta do Povo)

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Na última terça-feira (12), foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país. O indicador apresentou alta de 0,67% no mês de abril. Em 12 meses, a inflação acumula alta de 4,39%, próximo do teto da meta de 4,5%.

É claro que a elevação do petróleo contribuiu para a piora da inflação, principalmente no acumulado de um ano, ao considerar os impactos altistas da gasolina e do diesel. Entretanto, o resultado de agora não foi puxado somente pela elevação do preço desses combustíveis.

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Em abril, houve também elevação no preço dos alimentos, saúde e artigos de residência. Mas o que mais chamou a atenção foi a elevação de algumas medidas de núcleos da inflação.

Os núcleos da inflação são cálculos que procuram retirar os choques extraordinários do índice para ter uma leitura mais limpa e real do processo inflacionário. A média dos núcleos da inflação passou de 0,44% em março para 0,50% em abril.

Outra piora ocorreu no índice de difusão, que mede o percentual de itens com variação positiva, com o objetivo de captar o quanto a inflação está espalhada. De acordo com o indicador, 65,3% dos itens que compõem o IPCA apresentaram variação acima de zero (alta de preços), sugerindo a existência de um processo inflacionário em curso, e não apenas um choque pontual de oferta.

Não à toa, segundo o relatório Focus do Banco Central do dia 11 de maio, a mediana das previsões de mercado do IPCA para 2026 está em 4,91%. Já a inflação implícita na curva de juros para o mesmo período gravita em torno de 5%.

Enganam-se aqueles que acreditam que o processo inflacionário decorre apenas do choque do petróleo por conta do conflito no Oriente Médio. A alta recente da inflação também tem responsabilidade do governo federal, principalmente pelos estímulos fiscais

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Cálculos de diversos economistas têm apontado para um impacto de R$ 120 a R$ 140 bilhões nas contas públicas por conta das medidas do governo federal neste ano. Entre as ações estão: isenção de IRPF, crédito subsidiado para compra de caminhões e imóveis, desenrola, auxílio gás, entre outras.

É claro que todas essas medidas visam aquecer a economia a todo custo para o PT ganhar as eleições. No entanto, o uso da máquina eleitoral também cobra o seu preço, ao pressionar a demanda acima da capacidade de oferta do país, trazendo inflação para a população.

Outro problema desse pacote de estímulos é que os juros de mercado também se elevam na medida em que há uma piora no risco fiscal. O crédito subsidiado, juntamente com a piora do prêmio de risco dos títulos públicos, dificulta o trabalho do Banco Central para o controle inflacionário.

Com esse cenário, corre-se o risco de acontecer o que ocorreu em 2014 no governo Dilma, no qual “fizeram o diabo para ganhar as eleições”. O crescimento não se concretizou, mas veio a inflação e a deterioração das contas públicas. Aliás, pagamos esta conta até hoje.

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