Henry Borel: "Será anulado", diz defesa de Jairinho sobre julgamento
Fabiano Lopes, representante legal de Jairo Souza Santos Júnior, afirmou que partes lutaram "contra tudo e contra todos" e que julgamento deve ter nova fase
A defesa de Jairo Souza Santos Júnior, em nome de Rodrigo Facuz, afirmou, após Jairinho ser condenado nesta quarta-feira (4) a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte de Henry Borel, de 4 anos, que "certamente esse júri será anulado e ele (Jairo) será submetido a um novo julgamento".
A gente espera que dessa vez seja respeitado todas as garantias, no sentido até que a gente tenha acesso a todos os elementos probatórios, e que se tome uma decisão baseado naquilo que se tem de provas. Porque o que ficou claro no processo é isso: que no decorrer do julgamente, ele deveria ter sido absolvido assim como a Monique.
Além de Rodrigo, Jairo era representado pelo advogado Fabiano Lopes, que também disse que júri deve ser anulado. A defesa alegou que eles lutaram "contra tudo e contra todos". Ainda segundo Lopes, ele nunca viu um julgamento "tão bizarro" como o de Jairinho. Entenda abaixo:
"Julgamento bizarro" e nulidades
Após a condenação, a defesa concedeu entrevista à imprensa e afirmou que, durante todos os 11 dias de júri, ocorreram diversas nulidades, e portanto, "não têm dúvidas que o júri será anulado".
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Publicado em 2026-06-04 08:22:53Nunca vi um julgamento tão bizarro em todo a minha vida. A todo dia, a cada instante, era uma nulidade. Um julgamento estranho, que por exemplo, não agradou o Ministério Público e não agradou também a defesa de Jairo. Claramente, o próprio Juizo impedia a defesa de Jairo de fazer seu trabalho, dando tratamento diferente pra defesa de Monique.
Além disso, o advogado afirmou que "pro Leniel (pai de Henry) vai continuar tudo maravilhoso", e que a morte do filho sempre funcionou de cabide eleitoral.
Condenação de Jairinho e perdão de Monique
O Conselho de Sentença do II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro considerou Dr. Jairinho culpado por homicídio duplamente qualificado e por um dos crimes de tortura atribuídos a ele durante o processo.
Monique Medeiros, mãe da criança, foi condenada por omissão diante da tortura sofrida pelo filho e recebeu pena de 1 ano e 4 meses de detenção, já considerada cumprida. Em relação à acusação de homicídio, os jurados desclassificaram o crime para homicídio culposo, e a juíza Elizabeth Machado Louro aplicou perdão judicial.
Ao longo das sessões, foram ouvidos delegados, médicos legistas, peritos, familiares, babás e os próprios réus.
Durante o julgamento, Monique acusou Jairinho pela primeira vez pela morte do filho. Em interrogatório, ela afirmou acreditar que o ex-vereador foi o responsável pelas agressões contra Henry. Na reta final do júri, nesta quarta-feira, Monique chorou diversas vezes durante as sustentações das partes.
Durante a acusação, o Ministério Público exibiu vídeos e imagens de Henry ao lado do pai, Leniel Borel, incluindo registros das últimas imagens da criança no parquinho de um condomínio durante o último fim de semana antes da morte.
Os promotores também exibiram imagens das câmeras de segurança do elevador do prédio, mostrando Henry no colo de Monique ao lado de Jairinho horas antes da morte, além de fotografias da perícia realizada no Instituto Médico-Legal.
Já na fase final da defesa, os advogados de Monique exibiram vídeos da criança com a mãe e sustentaram que ela teria sido vítima de violência de gênero e de um relacionamento abusivo.
O ex-vereador, por sua vez, negou as acusações. Após os debates entre acusação e defesa, o conselho de sentença se reuniu para votação dos quesitos. A decisão terminou com a condenação dos dois réus pela morte de Henry Borel.