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O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão das Nações Unidas que representa o alegado “consenso científico” sobre a influência humana no clima global, acaba de anunciar que o cenário mais dramático descrito em seu último relatório (AR6) é “implausível”, embora mantenha a inclinação alarmista sobre o aquecimento atmosférico atribuído à humanidade.
O anúncio foi feito em um artigo de 44 autores, publicado em 7 de abril no sítio da revista Geoscientific Model Development. A retratação se refere ao cenário mais dramático citado pelo IPCC, chamado Representative Concentration Pathway 8.5 (Caminho de Concentração Representativo 8.5), conhecido pela sigla RCP8.5, que, nos últimos 15 anos, foi usado como referência para milhares de artigos científicos, incontáveis matérias jornalísticas, iniciativas de políticas públicas e citações alarmistas em livros didáticos.
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Publicado em 2026-05-24 12:00:23O cenário do RCP8.5 é apocalíptico: aquecimento atmosférico de até 6°C até 2100, elevação do nível do mar de até 2 metros, agricultura impossível no Sul da Europa, desaparecimento de uma em cada três espécies vegetais e outras calamidades planetárias que se abateriam sobre uma população de 12 bilhões de almas.
Agora, no artigo, os autores admitem que “surgiram críticas sobre a plausibilidade dos cenários mais extremos (SSP5-8.5 e seu precursor, RCP8.5; SSP1-1.9)”.
Adiante, afirmam: “(...) No extremo superior da faixa, os níveis de altas emissões do CMIP6 [sigla em inglês para Projeto de Intercomparação de Modelos Climáticos Versão 6 – n.e.] (quantificados pelo SSP5-8.5) se tornaram implausíveis, com base em tendências nos custos das energias renováveis, a emergência de políticas climáticas e tendências de emissões recentes. No extremo inferior, muitas trajetórias de emissões do CMIP6 se tornaram inconsistentes com as tendências observadas durante o período 2020-2030.”
Para não sufocar o leitor com detalhes de difícil compreensão para leigos (quase todos os não integrantes da seleta confraria dos modeladores matemáticos do clima), recorremos à reportagem do jornal holandês De Volkskrant, de 4 de maio, uma das escassas menções ao assunto na mídia corporativa internacional.
Na matéria, o editor científico do jornal, Maarten Keulemans, entrevista o autor principal do artigo, o climatologista Detlef van Vuuren, da Universidade de Utrecht, que se empenha em um exercício de “controle de danos” para reduzir o impacto da concessão sobre o catastrofismo dos modelos.
Segundo ele, nos novos cenários avaliados, as temperaturas globais em relação à era pré-industrial atingirão cerca de 3,5°C até o final do século, muito acima dos 2°C considerados “seguros”: “As consequências disso são suficientemente desagradáveis. E, se fizermos pouco em relação às emissões de gases de efeito estufa, de qualquer maneira, você vai acabar inevitavelmente com valores mais altos. Só vão acontecer mais tarde, depois de 2100.”
Ademais, diz ele, o cenário “mais favorável”, no qual as temperaturas aumentariam pouco, também será excluído do próximo relatório do IPCC, o que significa que, para a entidade, não é mais possível manter o aquecimento limitado a 1,5°C, considerado o compromisso atual da comunidade internacional.
Sobre a influência do RCP8.5, Keulemans acrescenta que, anos atrás, uma análise de 54 matérias jornalísticas feita pelo seu jornal demonstrou que mais de 80% delas se baseavam no cenário apocalíptico agora descartado
Uma leitura precisa e contundente dos fatos foi feita pelo jornalista estadunidense Jonathan Lesser, no New York Post de 19 de maio, à qual recorro para a conclusão:
“O RCP 8.5 foi concebido para representar o pior cenário possível para as mudanças climáticas.
“Mas desastres vendem, então ambientalistas e políticos o adotaram para fazer todo tipo de alegações absurdas.
“Eles se basearam em acadêmicos cujas carreiras dependiam do uso do RCP 8.5 e de vários outros cenários catastróficos para prever tudo, desde o fim dos vinhos franceses e da massa até alienígenas destruindo a Terra. (Não, é sério.)
“As alegações eram ridículas, mas o dinheiro que fluiu para grupos ambientalistas e políticos para promovê-las e suas ‘soluções’ preferidas era muito real.
“Não é à toa que grupos ambientalistas como o Sierra Club e o Natural Resources Defense Council arrecadaram centenas de milhões de dólares para instituir proibições ao gás natural para aquecimento e cozinha.
“E os danos econômicos e, ironicamente, ambientais das políticas que adotamos para ‘salvar-nos’ das mudanças climáticas têm sido desastrosos.
“Pode-se afirmar com segurança que centenas de bilhões, senão trilhões, de dólares foram desperdiçados com elas em todo o mundo.”
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