Gustavo Gómez cobra autoridades após crise no Paraguai: "Fomos vítimas"

Governo determinou o bloqueio financeiro de um dos principais bancos do país; zagueiro do Palmeiras é capitão da seleção paraguaia

Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras, usou as redes sociais para cobrar providências do governo do Paraguai após uma decisão econômica tomada nesta terça-feira (3), que provocou o bloqueio de recursos e impactou a economia do país.

O capitão da seleção paraguaia assinou uma carta em conjunto com outros jogadores da equipe nacional. No comunicado, os atletas afirmam que também foram vítimas da situação e cobram respostas imediatas das autoridades.

O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção no banco digital Ueno Bank, um dos principais do país, após constatar que o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido.

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A instituição financeira tem cerca de três milhões de clientes, o equivalente a 60% da população adulta do país, e administra mais de US$ 800 milhões (cerca de R$ 4,4 bilhões) em recursos públicos. Segundo as informações apresentadas, a resolução determina o bloqueio de todos os ativos e passivos do banco.

— Queremos que saibam de algo com clareza: nós também fomos vítimas dessa situação, assim como inúmeras famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afetam tantos compatriotas — diz um trecho do comunicado compartilhado pelo jogador.

— Exigimos firmemente que o governo e a Justiça ajam de maneira imediata, transparente e sem distinções. Precisamos de uma resposta contundente. Não se pode hesitar quando está em jogo o esforço de pessoas honestas.

No Palmeiras desde 2018, Gustavo Gómez é um dos principais nomes da seleção paraguaia. Neste ano, a equipe surpreendeu na Copa do Mundo ao eliminar a Alemanha no mata-mata, mas acabou eliminada nas oitavas de final, após derrota para a França.

Veja a nota na íntegra

"Ao povo paraguaio:

Somos jogadores da Seleção Paraguaia de Futebol, mas, acima de tudo, somos paraguaios. Filhos desta terra que amamos.

E hoje, como paraguaios antes de sermos jogadores de futebol, sentimos a necessidade de falar com vocês de coração aberto e sem rodeios, diante da crise financeira que está atingindo nosso país.

Isso nos dói profundamente. Dói ver milhares de famílias passando por angústia, incerteza e preocupação. Ver nossa gente preocupada em conseguir chegar ao fim do mês, com o trabalho e com o futuro de seus filhos. Por trás de cada número existem pessoas, famílias, sonhos e toda uma vida de esforço que merece respeito.

Queremos que saibam de algo com clareza: nós também fomos vítimas dessa situação, assim como inúmeras famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afetam tantos compatriotas.

Mas, neste momento, nossa maior preocupação não somos nós mesmos.

Nossa prioridade absoluta deve ser a população trabalhadora. Aqueles que tinham as economias de toda uma vida investidas ali. As pessoas de menor poder aquisitivo que hoje estão em situação de extrema vulnerabilidade. São elas que mais precisam de apoio e que devem estar em primeiro lugar diante de qualquer medida que seja tomada.

Por isso, hoje não falamos de futebol. Hoje falamos como povo.

Exigimos firmemente que o governo e a Justiça ajam de maneira imediata, transparente e sem distinções. Precisamos de uma resposta contundente. Não se pode hesitar quando está em jogo o esforço de pessoas honestas.

Por meio do esporte, entramos em campo todos os dias para mostrar ao mundo nossos valores, nossa garra e nossa verdadeira identidade paraguaia.

Trabalhamos duro para levar a bandeira do nosso país ao lugar mais alto e honrar nossa gente.

Não é justo, e não vamos permitir, que as ações de alguns poucos indivíduos indignos manchem o nome e a reputação de todo o Paraguai."



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/palmeiras/gustavo-gomez-cobra-autoridades-apos-crise-no-paraguai-fomos-vitimas/