A greve geral convocada para esta terça-feira (3) em Portugal provocou alterações nas operações aéreas do país e afetou voos que ligam Lisboa ao Brasil.
O Aeroporto de Lisboa orientou os passageiros a verificarem o status de seus voos junto às companhias aéreas antes de se deslocarem ao terminal devido aos impactos da paralisação.
Empresas aéreas afetadas
A TAP Air Portugal informou que irá operar apenas 79 voos no âmbito dos serviços mínimos definidos para o período da greve. Segundo a companhia, todas as demais operações previstas para o dia serão suspensas.
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Publicado em 2026-06-02 00:00:34A empresa afirmou que está entrando em contato com os passageiros afetados para oferecer alternativas de viagem e destacou que trabalha para minimizar os transtornos causados pela paralisação.
A Latam também anunciou medidas de flexibilização para clientes com voos de, para ou via Lisboa entre os dias 2 e 3 de junho. Os passageiros poderão remarcar suas viagens sem cobrança de multa, dentro das condições estabelecidas pela companhia, ou solicitar reembolso conforme as regras tarifárias da passagem adquirida.
Já a Azul Linhas Aéreas informou o cancelamento dos voos AD8750 e AD8900, entre Campinas e Lisboa, programados para terça-feira (2), além dos voos de retorno AD8751 e AD8901, entre a capital portuguesa e Viracopos, previstos para quarta-feira (3).
Em nota, a empresa afirmou que os clientes impactados estão sendo comunicados e ressaltou que a situação é alheia à sua vontade.
Motivações da greve
A greve foi convocada pela CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), uma das principais centrais sindicais do país, em protesto contra uma proposta de reforma trabalhista aprovada pelo Conselho de Ministros e enviada ao Parlamento no último mês.
A CGTP cita o aumento do custo de vida, com elevação dos preços da alimentação, energia e habitação, além dos impactos econômicos decorrentes das tensões no Oriente Médio, como fatores que motivaram a mobilização.
A entidade critica ainda o chamado “Pacote Laboral” defendido pelo governo português, argumentando que as medidas favorecem grupos econômicos e ampliam a exploração dos trabalhadores.
Até o momento, as autoridades portuguesas mantêm a previsão de realização da greve nesta terça-feira, enquanto companhias aéreas e operadores aeroportuários adotam medidas para reduzir os impactos aos passageiros.
Posicionamento do governo português
No último mês, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, afirmou que o país precisa flexibilizar parte de sua legislação trabalhista para aumentar a competitividade da economia e atrair mais investimentos.
Entre as medidas defendidas pelo governo estão a flexibilização de limites para terceirização e a ampliação de mecanismos de banco de horas, permitindo que funcionários acumulem horas extras para compensação futura com folgas ou remuneração adicional.
Segundo Montenegro, o objetivo não é retirar direitos dos trabalhadores, mas tornar a economia portuguesa mais atrativa em um cenário internacional de instabilidade.
“Não queremos retirar os direitos dos trabalhadores, mas Portugal é uma economia que, neste momento de instabilidade externa, tem tudo o que precisa para ser uma referência de estabilidade e para atrair mais investimentos”, afirmou o premiê durante uma conferência empresarial realizada em Braga.
O governo argumenta que as mudanças podem impulsionar o crescimento econômico e ampliar os investimentos no país.
(Com informações da Reuters)