Greve afeta circulação de ônibus no RJ; veículos são vandalizados
Paralisação por tempo indeterminado começou à meia-noite; Justiça determinou circulação mínima da frota
A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro entrou em vigor à meia-noite desta segunda-feira (29), após decisão da categoria em assembleia realizada no domingo (28). O movimento, por tempo indeterminado, afeta a operação do sistema de ônibus na capital.
O TRT-1 (Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região) determinou, por meio de liminar, a circulação de pelo menos 50% da frota nos horários de pico e de 25% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 50 mil, aplicada de forma independente ao Sintrucad-Rio (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros do Município do Rio de Janeiro) e ao Rio Ônibus (Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro).
Em nota, o Rio Ônibus informou que as empresas estão mobilizadas para manter o serviço e garantir o deslocamento da população. Segundo a entidade, cerca de 800 ônibus estavam em circulação nas primeiras horas de hoje.
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Publicado em 2026-06-29 08:46:11O sindicato patronal também informou que 30 ônibus foram vandalizados durante a paralisação, o que, segundo a entidade, prejudica o atendimento aos passageiros. Os consórcios fizeram um apelo para que motoristas e demais rodoviários compareçam às garagens, com o objetivo de restabelecer a normalidade da operação.
Já o presidente do Sintrucad-Rio, Sebastião José, afirmou que o sindicato enfrenta dificuldades para cumprir a determinação judicial porque não recebeu do Rio Ônibus a escala dos trabalhadores que deveriam atuar para garantir a circulação mínima da frota.
"Estamos tendo um problema para cumprir a determinação judicial, porque o sindicato encaminhou ofício ao Rio Ônibus solicitando a escala dos trabalhadores que estariam escalados para cumprir a decisão judicial. Até agora, não recebemos absolutamente nada", declarou.
Segundo o dirigente, a ausência da escala inviabiliza a identificação dos profissionais que deveriam estar trabalhando. Ele também atribuiu ao sindicato patronal a responsabilidade pelas dificuldades no cumprimento da liminar.
"Se não estamos conseguindo ter nesse momento 50% da frota na rua, não é culpa do nosso sindicato, é culpa do sindicato patronal", afirmou.
Sobre os casos de depredação, Sebastião José contestou os números divulgados pelas empresas. De acordo com ele, o sindicato teve conhecimento de quatro ocorrências e não há comprovação de participação de rodoviários nos episódios.
"Tivemos a informação de que quatro incidentes aconteceram e não são os rodoviários que fizeram isso", disse.
O COR-Rio (Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio) informou que, nas áreas atendidas por outros modais, os sistemas de metrô, trens e barcas operam normalmente e podem ser utilizados como alternativa pela população.
Reivindicações da categoria
Segundo o Sintrucad-Rio, a proposta apresentada pelo Rio Ônibus prevê reajustes de R$ 150,15 para os motoristas de ônibus convencionais, elevando o salário de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31, e de R$ 180,17 para os motoristas de articulados da categoria "E", passando de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. O auxílio-alimentação, por sua vez, subiria de R$ 660 para R$ 689.
O presidente do sindicato, Sebastião José, criticou os índices propostos pelas empresas. "São mais de trinta anos cedendo aos argumentos do patronal, mas agora essa situação precisa e vai mudar", afirmou.
Durante a assembleia que aprovou a greve, os trabalhadores mantiveram a pauta de reivindicações encaminhada ao Rio Ônibus. Entre os principais pedidos da categoria estão:
- Mudança da data-base para 1º de março;
- Salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados;
- Salário de R$ 4 mil para os demais motoristas;
- Fim dos contratos temporários e contratação pelo regime da CLT para os profissionais do BRT;
- Tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
- Jornada de trabalho no modelo 5x2;
- Manutenção do passe livre para a categoria;
- Indenização dos 30 minutos do intervalo de almoço;
- Implementação de plano de saúde;
- Implementação de plano odontológico.
"Queremos apenas o que nos é de direito. Espero que esse impasse entre a prefeitura e o Rio Ônibus seja resolvido, evitando assim que mais uma vez milhares de usuários paguem o preço dessa briga de poderes", declarou Sebastião José.