O governo Donald Trump impôs nesta quinta-feira (4) sanções ao presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em mais um passo para aumentar a pressão sobre o governo de Havana.
As sanções também têm como alvo o filho e o neto do ex-presidente Raúl Castro, a esposa e o enteado de Díaz-Canel, além do Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, três outras organizações apontadas como ligadas ao governo cubano e uma empresa de mineração com capital cubano e australiano.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em comunicado que está mirando aqueles que “sustentam a campanha maliciosa do regime para subverter e desestabilizar a segurança nacional dos Estados Unidos”.
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Publicado em 2026-06-04 18:41:41Essa é a mais recente ação do governo Trump em sua estratégia de enfraquecer a economia cubana e forçar mudanças — incluindo uma possível mudança de regime — em Havana.
Essas ações incluem uma série de sanções severas, um bloqueio contínuo ao petróleo e a acusação criminal contra Raúl Castro. Ao mesmo tempo, persiste a possibilidade de uma ação militar na ilha, já que um porta-aviões dos EUA foi enviado para a região e Rubio tem reiterado que Cuba representa uma ameaça aos Estados Unidos.
“Essas sanções têm como alvo a ampla e violenta rede de ações radicais do regime cubano e os agentes que a executam e financiam”, declarou Rubio nesta quinta-feira.
“Desde o programa de Fidel Castro para globalizar a chamada ‘revolução’ marxista, Havana tem servido como uma base avançada para uma guerra irregular global contra os interesses dos Estados Unidos, recrutando, treinando e equipando militantes de esquerda violentos em toda a nossa região — incluindo grupos terroristas marxistas nos Estados Unidos — com o objetivo final de minar a segurança nacional americana”, alegou.
Rubio advertiu sobre a possibilidade de sanções secundárias contra “qualquer pessoa ou entidade que negocie com organizações das quais a GAESA, o MINFAR ou o já sancionado Ministério do Interior detenham 50% ou mais de participação”. A GAESA é o conglomerado militar que controla grande parte da economia cubana.
“Bancos e empresas estrangeiras que prestem serviços às entidades sancionadas correm o risco de sofrer sanções e devem interromper essas atividades”, advertiu uma nota informativa separada do Departamento de Estado. “O governo Trump continuará a atingir a rede subversiva do regime cubano, aqueles que viabilizam suas operações subversivas e aqueles que lucram enquanto o povo cubano sofre.”
Na quarta-feira, Rubio disse a parlamentares no Capitólio que os Estados Unidos “estão abertos a uma solução negociada que coloque Cuba em um caminho rumo à democracia, prosperidade, liberdade e normalidade” e que “trabalhariam com qualquer pessoa disposta a seguir essa direção”.
O principal diplomata americano reconheceu que essa perspectiva é “desafiadora” e indicou que os EUA ainda não encontraram em Cuba um equivalente a Delcy Rodríguez — descrita por ele como uma ex-aliada de Nicolás Maduro apoiada pelos Estados Unidos na Venezuela.
Rubio sugeriu que uma eventual transição poderia se assemelhar mais aos processos ocorridos na República Tcheca ou na Polônia, onde, segundo ele, foram preservadas “certas instituições da sociedade para garantir estabilidade e longevidade ao projeto que estávamos construindo”.
“Talvez existam alguns tecnocratas específicos com quem possamos trabalhar. Acho que isso se torna mais difícil nos escalões superiores, por causa da orientação ideológica de alguns deles”, afirmou Rubio ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, acrescentando que “há claramente indivíduos dentro da estrutura de poder daquele país que entendem que o modelo atual não é sustentável e precisa ser corrigido”.
No entanto, ao ser questionado sobre a existência de uma “nova Delcy”, Rubio disse que os EUA ainda não identificaram alguém com esse perfil.
“No fim das contas, se você está me perguntando se existe hoje uma única pessoa em quem confiaríamos para liderar essa transição do começo ao fim, não posso dar esse nome neste momento”, declarou.