Montadora chinesa BYD iniciou a produção de veículos eletrificados em Camaçari (BA) em 2025. (Foto: Eduardo Andrade / Ascom SDE-BA )

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A Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu, em reunião nesta terça-feira (23), prorrogar por mais seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), no valor total de US$ 463 milhões. O governo defende que a medida converge com as iniciativas de descarbonização e renovação da frota.

A decisão favorece principalmente a montadora chinesa BYD, que iniciou operações em sua fábrica em Camaçari (BA) no ano passado utilizando o modelo SKD, com os veículos chegando pré-montados e sendo finalizados no Brasil.

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No entanto, para as montadoras tradicionais, o restabelecimento do benefício é visto como um retrocesso. Ao longo do primeiro semestre, o setor automotivo fez forte pressão junto ao governo para que a redução temporária de impostos não fosse prorrogada.

Embora o governo tenha mantido o cronograma de elevação tarifária para veículos montados — que passam a recolher 35% de imposto de importação em julho deste ano —, a criação das novas cotas para kits desmontados favorece montadoras que estão iniciando operações locais, como a BYD.

A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as montadoras tradicionais instaladas no Brasil, classifica o benefício como concorrência desleal.

A entidade disse que adecisão foi tomada sem consulta ao setor produtivo. Segundo a Anfavea, a medida altera uma política definida pelo próprio governo, na qual as cotas para importação de kits haviam se encerrado em fevereiro de 2026 após longo debate.

"A medida é contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças, como atestaram dezenas de manifestações públicas assinadas por sindicatos, centrais sindicais, federações empresariais e associações da indústria nos últimos dias", afirmou a associação, em nota.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (22), véspera da reunião do Camex, o presidente da entidade, Igor Calvet, disse que cogitava a possibilidade de levar a questão à Justiça caso o benefício tributário fosse prorrogado.

Montadoras articularam fim do benefício fiscal à BYD

Na visão da Anfavea, o mecanismo acabou sendo utilizado por algumas empresas para reforçar os estoques de veículos importados, sem estimular de forma efetiva a produção nacional. A associação liderou uma coalizão formada por entidades empresariais e sindicais para tentar derrubar os benefícios concedidos à importação dos kits de veículos eletrificados.

Em julho do ano passado, o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes de Veículos Automotores (Sindipecas), Cláudio Sahad, chegou a enviar uma carta ao presidente Lula (PT) pedindo que os benefícios fossem revistos.

"A medida proporcionou um expressivo aumento das vendas de veículos eletrificados importados, com impacto notável na distribuição desigual nas vendas dos veículos aqui produzidos, além de gerar um tratamento não isonômico às montadoras de veículos instaladas no Brasil", disse ele na ocasião.

De acordo com a Anfavea, o emplacamento de veículos importados cresceu 17,4% nos cinco primeiros meses do ano, para 222,9 mil unidades. Apenas os de origem chinesa cresceram 86,6%.

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BYD cresceu 5.500% em três anos no Brasil

O avanço da montadora chinesa ajuda a explicar a reação das fabricantes instaladas no país: a BYD saltou de apenas 260 veículos vendidos em 2022 para 21.704 emplacamentos registrados em maio deste ano, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) – um crescimento de 5.500%.

Com esses números, a empresa ocupa, atualmente, a quarta posição do ranking de vendas de automóveis, com uma participação de mercado de 8,5%.

Segundo dados do Google Trends, o volume de buscas por BYD superou quase todos os principais concorrentes – incluindo Chevrolet, Volkswagen e Hyundai – já no primeiro semestre de 2024.

De lá para cá, somente a Fiat se mantém com volume de buscas superior à montadora chinesa. Nos últimos 30 dias, o interesse de pesquisa por BYD no buscador foi mais do que o dobro das concorrentes Chevrolet e Hyundai.

** Esta reportagem faz parte de uma parceria com o Google, que apoia projetos jornalísticos baseados em dados do Google Trends. A apuração é de responsabilidade exclusiva da Gazeta do Povo, sem qualquer interferência editorial do Google.

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