Governo busca convergência sobre tarifaço, sem ceder aos EUA

Segundo apuração da analista de Política da CNN Isabel Mega, a avaliação do governo brasileiro é de que o Departamento Comercial dos Estados Unidos enfrenta um dilema

O governo brasileiro segue buscando uma convergência com os Estados Unidos para reverter o tarifaço de 25% imposto sobre produtos brasileiros, mas sem abrir mão de seus interesses. A informação foi apurada pela analista de Política da CNN Isabel Mega.

A posição oficial é de que os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil são sólidos e que a taxação seria prejudicial para a relação produtiva entre os dois países — e também para a própria economia americana.

Dilema técnico e político

Na avaliação do governo brasileiro, o Departamento Comercial dos Estados Unidos enfrenta um dilema: de um lado, o peso da análise técnica, que levaria em conta os argumentos apresentados pelo Brasil, incluindo o fato de que o país mantém uma relação superavitária com os americanos.

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Do outro, a influência da ala ideológica do governo de Donald Trump, que, segundo fontes ouvidas pela CNN, "fala bastante alto e fala com camadas do bolsonarismo aqui no Brasil".

A visão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é de que o bolsonarismo está na origem do tarifaço. Desde as primeiras menções de que o Brasil seria taxado, há, na leitura do governo, uma "digital do bolsonarismo" por trás do movimento.

Nesse contexto, a carta enviada recentemente por Flávio Bolsonaro (PL) ao Departamento Comercial dos Estados Unidos chamou atenção das fontes do governo brasileiro, pois, em vez de pedir uma resolução imediata da questão, Flávio condicionou o pedido de adiamento ao resultado das eleições.

Carta de Flávio Bolsonaro e a eleição no centro do debate

Na interpretação de fontes do governo Lula, a carta de Flávio transmite uma mensagem clara: se ele vencer as eleições, haverá abertura para negociar com os Estados Unidos.

Caso Lula seja reeleito, o tarifaço poderia ser implementado. O documento também menciona uma equipe de transição à disposição dos americanos, o que reforça, na leitura do governo, o caráter eleitoral da iniciativa.

Segundo apuração da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, a análise sobre a estratégia de Flávio Bolsonaro (PL) aponta para uma mudança de tom em relação a comunicações anteriores.

Em junho, ele havia enviado uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, pedindo que ele interviesse junto aos demais agentes do governo dos EUA para compreender melhor o impacto das tarifas no Brasil — um discurso "absolutamente condizente com alguém que quer passar a mensagem de que não está trabalhando pela aplicação de tarifas no Brasil".

Agora, o argumento central passou a ser o risco que o tarifaço representa para a candidatura de Flávio. Aliados do senador, no entanto, afirmam que esse não era o objetivo da carta.

Prazo e próximos passos

O prazo considerado decisivo nas negociações é 15 de julho. Até lá, estão previstas uma audiência pública e mais duas reuniões técnicas em que o Brasil seguirá buscando a convergência.

O ministro do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, tem atuado diretamente nesse processo, mantendo contato com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Segundo Isabel Mega, a posição da área técnica do governo é de que o tarifaço deve ser revertido independentemente de quem ganhe as eleições. Apesar do pessimismo que permeia parte do governo, a aposta ainda é de que as reuniões restantes possam gerar algum avanço.

Fontes também apontam para a possibilidade, considerada minoritária, de que Flávio Bolsonaro (PL) esteja atuando em conjunto com a ala ideológica da Casa Branca para, em seguida, reivindicar o crédito pela eventual revogação do tarifaço.

O governo, porém, avalia que, no final das contas, a discussão envolve relações comerciais e interesses econômicos concretos, o que pode falar mais alto do que alinhamentos políticos.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/governo-busca-convergencia-sobre-tarifaco-sem-ceder-aos-eua/