Os chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipts) têm ganhado força na B3, impulsionados pelo interesse de investidores em empresas globais de grande porte.
O exemplo mais recente foi a estreia das ações da SpaceX, que dispararam na bolsa brasileira, movimentando cerca de 150 milhões de reais em um único dia de negociações.
Para explicar esse movimento e o cenário atual desse mercado, Bianca Maria, gerente de Produtos de Equities da B3, detalhou o funcionamento e a crescente relevância do produto.
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Publicado em 2026-07-04 11:07:45“Uma BDR nada mais é do que um recibo de uma ação que é negociada em bolsas estrangeiras”, explicou. Segundo ela, o produto permite ao investidor acessar empresas listadas fora do Brasil em reais, por meio do próprio home broker, sem a necessidade de remessa de dinheiro ao exterior, abertura de conta em corretora estrangeira ou pagamento de IOF.
Mais de 800 opções e volume 40% maior
Atualmente, a B3 oferece mais de 800 opções de ações de outros países negociadas via BDRs. O volume diário já alcança cerca de R$ 1,3 bilhões, valor 40% superior ao registrado no ano anterior.
“Isso só mostra como é importante essa diversificação internacional“, afirmou Bianca.
Entre os papéis com maior demanda estão Google, NVIDIA e Tesla, além da SpaceX. No segmento de empresas brasileiras listadas no exterior, os BDRs de Nubank, XP, Mercado Livre e JBS também figuram entre os mais procurados.
Perfil dos investidores
O mercado de BDRs reúne hoje quase um milhão de investidores. Do volume financeiro total negociado, 60% é proveniente de não residentes, 20% de investidores institucionais locais e cerca de 18% de pessoas físicas.
Bianca destacou que os investidores estrangeiros utilizam os BDRs para estratégias de hedge e arbitragem, o que explica sua participação expressiva mesmo tendo acesso direto aos mercados de origem.
“Mesmo tendo essa possibilidade lá fora, a gente vê sim um papel relevante do não residente na negociação das BDRs”, disse.
Vale destacar que os BDRs só foram liberados para o varejo — ou seja, para pessoas físicas que não sejam investidores qualificados — a partir de 2020, por decisão da CVM.
Apesar de ser um produto relativamente recente, em cinco ou seis anos a pessoa física já representa quase 20% do volume total negociado.
Para Bianca, os BDRs funcionam como um complemento às ações listadas na B3, e não como concorrentes.
“Se você quer investir em ações de setores que representam mais a economia brasileira, você tem as ações listadas aqui na B3. Mas imagina o mundo inteiro, o tanto de teses, o tanto de setores que a gente tem distribuídos ao redor dos países”, concluiu.