Geração Z quer empregos que ajudem outras pessoas
Pesquisa da Gallup revela que quase 80% dos jovens da Geração Z nos EUA buscam trabalhos voltados ao cuidado do próximo
Quando têm a oportunidade de ajudar outras pessoas e causar um impacto positivo, a Geração Z diz "sim".
Os membros da geração mais jovem querem, em sua grande maioria, auxiliar outras pessoas por meio do trabalho, e esses empregos voltados ao cuidado podem contribuir para o bem-estar mental geral deles, segundo uma nova pesquisa.
Quase 80% dos integrantes da Geração Z nos Estados Unidos afirmaram ter interesse em empregos que visam ajudar outras pessoas, de acordo com uma pesquisa divulgada na quarta-feira pela Gallup, em parceria com a Walton Family Foundation e o Making Caring Common Project da Universidade Harvard.
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Publicado em 2026-06-26 05:03:12"Em um momento em que a solidão e os problemas de saúde mental são uma questão para a Geração Z, esses dados mostram que eles querem ajudar as pessoas e estão lutando para encontrar significado e propósito na vida", disse Katherine Senseman, consultora de pesquisa da Gallup.
O estudo "Gallup Voices of Gen Z" (Gallup Vozes da Geração Z, em tradução livre) destaca uma correlação entre dois aspectos da vida. Entre aqueles que concordaram com a ideia de causar um impacto positivo na vida de outras pessoas, 89% concordaram totalmente ou concordaram que sentiam que sua vida tinha significado. "Ajudar os outros é bom para nossa saúde mental, e muitos integrantes da Geração Z carecem de significado e propósito, o que realmente não é bom para a saúde mental", disse Richard Weissbourd, diretor de corpo docente do Making Caring Common Project e professor sênior da Harvard Graduate School of Education. "Eles estão encontrando significado e propósito em ajudar outras pessoas."
Esses dados ajudaram os pesquisadores a compreender melhor como o propósito se manifesta na vida das pessoas e como ele pode estar ligado à intenção de fazer coisas pelos outros, disse Anthony Burrow, professor associado de psicologia na Cornell University em Ithaca, Nova York, que não participou da pesquisa.
No entanto, os integrantes da Geração Z também citaram razões para não encontrar tal significado.
Barreiras para uma vida com significado
Como nativos digitais, os integrantes da Geração Z estão cientes de sua ligação com as telas, com mais da metade citando o uso improdutivo da tecnologia como uma barreira significativa para o desenvolvimento de uma vida com significado. Quase metade reconheceu problemas de saúde mental, e 34% sentiram que a falta de relacionamentos pessoais era um fator que contribuía para a sensação de falta de propósito.
Embora os empregos voltados ao cuidado possam levar à superação de algumas dessas barreiras, os próprios empregos apresentam algumas preocupações.
Quase metade dos jovens da Geração Z citou preocupações com finanças e bem-estar pessoal como fatores que os desestimulam a buscar empregos voltados para ajudar outras pessoas. Os jovens achavam que esse tipo de trabalho não pagava o suficiente e sentiam que as funções costumavam ser mais desgastantes emocionalmente do que outras.
Metade dos entrevistados citou um emprego que rendesse dinheiro suficiente, sem ser muito estressante, como o que mais desejavam em sua carreira — portanto, trabalhos de cuidado com baixa remuneração e alto estresse conflitavam com suas prioridades.
Além disso, a pressão de simplesmente encontrar um sentido para a vida pode ser avassaladora. Mais da metade dos adultos da Geração Z concordou que a pressão que sentiam para conquistar algo na vida os estressava, com concordância especialmente alta entre adultos mais jovens, de 19 a 21 anos.
A pressão por conquistas e a pressão para encontrar um propósito na vida andam juntas, observou Weissbourd.
"É em parte a quantidade de pressão por conquistas, mas também o motivo pelo qual você está conquistando algo", disse Weissbourd. "Se você tem um propósito para isso, é provável que tenha uma saúde mental melhor."
A Gallup e seus parceiros conduziram a pesquisa em dezembro de 2025 e entrevistaram 2.436 jovens, entre 13 e 28 anos, residentes nos Estados Unidos.
Como motivar o impulso da Geração Z para ajudar os outros
Quando perguntados se aceitariam um emprego mais bem remunerado em detrimento de um emprego mais significativo, quase metade dos jovens da Geração Z disse que sim. Mas, se o dinheiro não fosse um problema e já vivessem com um salário confortável, a maioria dos jovens disse que ficaria no emprego original.
Mais da metade dos jovens da Geração Z afirmou que realizar um trabalho pessoalmente gratificante estava entre suas três principais prioridades, e 25% também classificaram ajudar e cuidar de outras pessoas como prioridade máxima.
"Esta é uma história de oportunidade", disse Burrow. "Quando apresentada a uma oportunidade de fazer algo com propósito ou significado, em geral, essa geração diz: 'Eu quero fazer isso'."
Ele instigou gestores de contratação, educadores e gerações mais velhas a utilizarem essas informações como forma de rever suas visões sobre a geração mais jovem.
Isso também poderia se traduzir na contratação de recrutadores que adicionem informações às vagas de emprego sobre algumas das ações comunitárias que uma empresa realiza, ou em administradores escolares que estabeleçam programas que explorem aspectos de carreiras capazes de proporcionar um senso de propósito aos estudantes.
"Essas barreiras se tornam, então, oportunidades para que organizações ou empresas — ou até mesmo escolas — realizem um trabalho preparatório, para mostrar como experiências, tarefas e fluxos de trabalho podem, de fato, apoiar e sustentar algo como o propósito de vida", disse Burrow.