O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) negou nesta quarta-feira (7) que um de seus advogados tenha participado da elaboração de um parecer do MPE (Ministério Público Eleitoral).

A controvérsia começou porque Marcello Dias de Paula, advogado que representa Garotinho, aparece como autor nos metadados do arquivo. O parecer, no entanto, é assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa.

A candidatura de Garotinho havia sido barrada pela Justiça Eleitoral, mas ele recorreu da decisão ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Depois da eleição, o ex-governador pediu para retirar esse recurso. O parecer do Ministério Público Eleitoral defende que o Tribunal aceite o pedido.

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Segundo Garotinho, seu advogado foi informado de que o nome apareceu nos metadados porque trechos da defesa foram reproduzidos na elaboração do parecer.

“Ele me disse que obteve a informação de que o subprocurador eleitoral reproduziu parte da nossa defesa, em relação à nossa tese, e, ao fazer isso, acabou puxando os metadados. Mas quem escreveu tudo que está lá, que não é cópia, foi o procurador”, afirmou.

Garotinho disse ainda que cabe à Procuradoria explicar o episódio. “Eu acho que quem tem que dar explicação é a Procuradoria”, declarou.

A explicação é semelhante à apresentada pelo próprio MPE. O órgão afirmou que, após testes realizados pela equipe técnica da Procuradoria-Geral da República, identificou que os metadados foram transferidos quando um trecho do recurso de Garotinho foi copiado e inserido na minuta da manifestação.

Segundo o MPE, o parecer foi elaborado “integral e exclusivamente” por integrantes da Procuradoria-Geral Eleitoral, sem participação, contribuição ou auxílio de terceiros.

Marcello Dias de Paula também negou ter participado da produção do documento. Segundo o advogado, todas as intervenções da defesa foram apresentadas oficialmente nos autos do processo.

Garotinho também questionou a possibilidade de sua própria defesa ter produzido um documento contrário aos seus interesses.

“Que sentido teria um documento feito pelos meus advogados para eu ser condenado?”, afirmou.

Garotinho foi considerado inelegível em razão de uma condenação por improbidade administrativa relacionada a irregularidades no projeto “Saúde em Movimento”. Segundo o MP Eleitoral, a condenação, que se tornou definitiva em julho de 2025, suspendeu os direitos políticos do ex-governador por oito anos.

Sem apoio no segundo turno

Garotinho também afirmou que não pretende apoiar Douglas Ruas (PL) nem Eduardo Paes (PSD) caso a disputa pelo governo do Rio de Janeiro tenha segundo turno.

“Quero deixar claro que não existe a possibilidade de apoio da minha parte nem a um candidato, nem a outro. Para mim, ambos continuam sendo integrantes de organizações criminosas. Se não são integrantes ativos, pelo menos são protetores ou dão cobertura. Afinal, ontem, a quadrilha reeleita na Alerj já estava fazendo discurso pela soltura de Bacellar.”

Na sequência, ele também associou suas críticas a Paes ao caso Marielle Franco. “E ninguém vai tirar do currículo de Eduardo Paes que ele nomeou Chiquinho Brazão, miliciano e mandante do assassinato de Marielle Franco, como secretário.”

 



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/garotinho-nega-que-advogado-tenha-escrito-parecer-do-mp-eleitoral/