Paciente hospital leito maca Divulgação A França está prestes a aprovar nesta quarta-feira (15) o direito à morte assistida ou eutanásia sob certas condições, uma reforma altamente polêmica defendida pelo presidente Emmanuel Macron. A Câmara Baixa do Parlamento francês votará a adoção da lei nesta quarta-feira, no fim do dia. Com sua aprovação, a França se somará ao seleto grupo de países que autorizam a morte assistida como Bélgica, Países Baixos, Suíça, Canadá e Uruguai. No caso da França, o direito fica reservado a adultos que sofram de uma doença incurável, desde que possam expressar essa necessidade de maneira "livre e esclarecida" e sofram fisicamente. A dor deve ser resistente ao tratamento ou, na opinião do paciente, insuportável, nos casos em que ele tiver optado por não seguir o procedimento médico ou por interrompê-lo. Um médico será responsável por verificar se o paciente cumpre os requisitos, antes que um comitê avalie os critérios. Em última instância, o médico toma a decisão, e o paciente pode retirar seu consentimento a qualquer momento. O próprio paciente administrará a substância letal, exceto no caso daqueles que, por motivos físicos, não possam fazê-lo. A lei "será aprovada porque é equilibrada", afirmou Agnes Firmin Le Bodo, deputada de centro-direita e ex-ministra da Saúde. Mas os críticos da lei não têm intenção de desistir. De todo modo, a aprovação não marcará o fim de seu trâmite legislativo e judicial, já que o primeiro-ministro Sebastien Lecornu pediu ao Conselho Constitucional da França, a principal autoridade constitucional, que examine a legislação uma vez aprovada. Esse órgão, cujas decisões têm força vinculante, pode, em casos extremos, declarar toda uma legislação inválida ou manifestar reservas quanto a parte dela. 'Uma maratona de obstáculos' O caminho até a votação final foi "uma maratona de obstáculos", declarou à AFP o relator do texto, Olivier Falorni, um ex-deputado que se tornou prefeito. A votação, à qual Falorni estará presente, é "o resultado de uma luta" após "14 anos de batalhas parlamentares sobre este tema", disse ele. A lei recebeu sinal verde da Assembleia Nacional, mas foi rejeitada pela Câmara Alta, o Senado. Então o governo decidiu dar a última palavra à câmara baixa, como a Constituição permite. Figuras de peso dos Republicanos (LR, conservador), majoritários no Senado, se opõem à lei. O deputado Christophe Bentz, do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), também considera que o texto é "muito perigoso" e traz riscos de "abusos". Grupos e organizações religiosas que fazem campanha contra o aborto e a eutanásia vão protestar nesta quarta-feira perto da Assembleia Nacional. Também se opõem à lei alguns organismos científicos e até coletivos de pessoas com deficiência, que temem ser pressionados a solicitar a eutanásia. O presidente Macron havia prometido uma lei sobre morte assistida quando foi reeleito para um segundo mandato em 2022. É considerada uma das reformas sociais mais importantes desde que a França permitiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2012. Manifestante segura um cartaz com os dizeres "Aos nossos camaradas ausentes, vítimas da inacessibilidade" durante um protesto contra a lei do suicídio assistido, enquanto o projeto de lei é votado na Assembleia Nacional AFP
Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/15/franca-vota-para-legalizar-direito-a-eutanasia.ghtml
Recomendamos para você
Dino dá 10 dias para presidentes de partidos no Congresso prestarem esclarecimentos sobre emendas
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, nesta quarta-feira (15), q...
Publicado em 2026-07-15 10:37:04
Ebola avança sem precedentes na RDC e já soma mais de 2 mil casos; OMS alerta para transmissão desconhecida
A República Democrática do Congo (RDC) registrou mais de 2 mil casos de ebola, incluindo 754 m...
Publicado em 2026-07-15 10:31:54
Governo do AM concede incentivos fiscais de ICMS para indústrias do Polo Industrial de Manaus; créditos chegam a 100%
Polo Industrial de Manaus Divulgação O Governo do Amazonas concedeu novos incentivos fisca...
Publicado em 2026-07-15 10:31:26