Fóssil de espécie anterior aos dinossauros é descoberta no Brasil
Batizado de Silescelida acristata, o animal teria vivido há aproximadamente 240 milhões de anos; fragmento fossilizado ficou mais de 20 anos perdido antes de ser reencontrado e identificado
Um fóssil encontrado no município de Dona Francisca, na região central do Rio Grande do Sul, e que permaneceu perdido por cerca de 20 anos levou à descoberta de uma nova espécie de réptil. Batizado de Silescelida acristata, o animal teria vivido há aproximadamente 240 milhões de anos, período anterior aos dinossauros.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), e publicado nesta quarta-feira (10) na revista científica Scientific Reports.
Parte do material fossilizado, que continha informações essenciais para determinar sua origem, foi acidentalmente perdida por mais de duas décadas. O fragmento só foi localizado em 2022, durante uma visita técnica à coleção científica da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). A redescoberta viabilizou sua descrição e identificação formal.
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Publicado em 2026-06-11 17:24:05De acordo com a UFSM, o fóssil foi encontrado em rochas do Período Triássico, na área que hoje integra o Geoparque Quarta Colônia UNESCO. A região já revelou outros achados importantes, incluindo fragmentos de alguns dos dinossauros mais antigos do mundo.
A nova espécie pertence ao grupo dos arcossauriformes, répteis que apresentam características anatômicas semelhantes às observadas em dinossauros e crocodilos.
Análises em relação ao grau de parentesco indicam que o animal pode estar relacionado aos Euparkeriidae, um grupo raro e ainda pouco compreendido, conhecido principalmente por fósseis encontrados na África do Sul, China, Rússia, Polônia e Alemanha. Nesse cenário, Silescelida acristata representa o primeiro registro de um integrante dessa linhagem na América do Sul.
“Essa descoberta amplia significativamente a distribuição geográfica conhecida desses animais e reforça a importância do Brasil para o entendimento da evolução dos ancestrais dos arcossauros”, afirma o paleontólogo Maurício S. Garcia, autor principal do estudo e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM.
Em porte, Silescelida acristata se assemelhava a um pequeno jacaré, com corpo esguio e locomoção quadrúpede. A dieta provavelmente era composta por animais menores.
“Assim como espécies aparentadas, apresentava membros posicionados de forma semi-ereta, projetados mais abaixo do corpo do que lateralmente. Essa característica permitia uma locomoção mais eficiente e ágil, reduzindo o arrasto do ventre contra o solo e representando uma importante inovação na evolução dos ancestrais dos dinossauros e crocodilos”, informou a UFSM.
Atualmente, o fóssil de Silescelida acristata integra o acervo científico da PUCRS, em Porto Alegre.
Veja as imagens:
Origem do nome
O nome Silescelida combina termos do latim e do grego antigo que significam “silêncio” e “perna”. A referência ao silêncio remete ao longo período em que parte do fóssil permaneceu desaparecida antes de ser redescoberta. Já “perna” faz alusão ao fato de o material encontrado ser composto principalmente por ossos dos membros, incluindo o fêmur.
O epíteto acristata significa literalmente “sem crista”. A denominação foi escolhida porque o fêmur do animal não apresenta uma crista óssea elevada, estrutura onde se prenderia a musculatura da cauda. Essa característica o distingue de quase todos os seus parentes mais próximos.